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(08/06/2012) - Parar de fumar exige decisão e persistência

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Dra. Eliana atua no setor de prevenção ao câncer de pulmão
Tininho Júnior

A médica pneumologista Eliana Lourenço Borges atua no NATA (Núcleo Antitabaco) do Hospital de Câncer de Barretos. Em entrevista à Rádio Independente AM, Dra. Eliana explicou sobre os desafios de quem deseja parar de fumar e o objetivo do núcleo. Acompanhe:  

O Diário: As pessoas estão deixando de fumar?
Dra. Eliana: As pessoas estão tendo mais consciência em questões de informação e campanhas sobre os malefícios do cigarro e os benefícios de se parar de fumar. É um trabalho difícil, pois o fumante possui várias cargas que o levaram ao consumo de cigarros. O que se percebe é que em algumas situações o jovem gosta do proibido e ir contra os pais, então, há uma incidência grande de fumo na adolescência. Diminuiu o fumo na infância, pois antigamente havia pais que ensinavam os filhos a fumar. Mas há indícios de muitas pessoas parando de fumar.

O Diário: Por que as pessoas tentam parar de fumar?
Dra. Eliana: A maioria das pessoas começa a perceber alterações da saúde, com maior facilidade de adquirir infecções respiratórias, dificuldades para respirar e caminhar. Então procuram quando começam a sentir algumas coisas. Ou até pela discriminação.

O Diário: A dificuldade de parar de fumar depende do tempo de consumo do cigarro?
Dra. Eliana: Existem alguns fatores que medimos, mas o tempo que se fuma não diz muita coisa. Normalmente a pessoa tem o hábito de fumar a muitos anos, e mudar um hábito de vida é complicado. Mudar um hábito exige um esforço de mudança de vida. Cada pessoa é avaliada de acordo com as várias dependências do cigarro. As duas principais referem-se a dependência a química, que a nicotina, e a comportamental, o hábito de fumar.

O Diário: As pessoas conseguem parar de fumar sozinhas ou precisam mesmo de tratamento?
Dra. Eliana: Existem pessoas que conseguem parar sozinhas. Outras, aquelas com dependência maior a nicotina, precisam de ajuda como acompanhamento psicológico e medicações. Parar de fumar é um trabalho de formiguinha, onde é preciso sempre conversar a respeito.  É preciso tomar a decisão.

O Diário: Quem consegue parar de fumar sem tratamento tem menor chance de reincidência?
Dra. Eliana: Não é regra. As pessoas que têm mais dificuldade de parar de fumar têm alguma causa psicológica na qual o cigarro funciona como uma válvula de escape. Algum problema de família, depressão e ansiedade na maioria das vezes. Depende de cada pessoa.

O Diário: O que se tem em relação a tratamento?
Dra. Eliana: Existem algumas frentes de trabalho, chamadas de terapia de reposição de nicotina. Nestes casos são usados os adesivos, pastilhas e gomas de mascar. Existem também os comprimidos, que atuam diretamente na área receptora do cérebro. O método depende do grau de dependência da pessoa, pode haver até a combinação de remédios com os adesivos. O governo fornece tratamento de aproximadamente de três meses, além de acompanhamento, então deve-se parar de fumar nesse período. 

O Diário: Qual a relação do cigarro com inúmeras doenças?
Dra. Eliana: São vários fatores que fazem com que a pessoa adoeça, genéticos e ambientais. Em relação a alguns tipos o câncer o cigarro aumenta consideravelmente o risco de desenvolver a doença. Aumenta também as chances de ocorrer doenças cardíacas, respiratórias, entre outras.

O Diário: Qual o objetivo do NATA?
Dra. Eliana: O NATA é voltado para pacientes que tratam de câncer no hospital. Muitos pacientes passam pelo tratamento de quimioterapia mas continuam fumando. O propósito é tentar barrar nestes pacientes a exposição ao cigarro que provavelmente foi a causa do câncer.


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