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(21/05/2019) - Polícia Civil e Gaeco prendem cinco na segunda fase da Operação Partilha

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Delegado Rafael Faria Domingos explicou sobre a investigação
Tininho Júnior

A Polícia Civil através da Delegacia Seccional de Polícia de Barretos e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) de Rio Preto desencadearam ontem, a segunda fase da Operação Partilha, que apura o desvio de cerca de R$ 10 milhões da folha de pagamento da prefeitura de Barretos.

A operação foi coordenada  pelo delegado Rafael Faria Domingos e pelos promotores Tiago Fonseca e João Paulo Gabriel de Souza, com a participação de policiais  da DIG e DISE de Barretos e apoio da Polícia Civil de Bertioga.

Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Segundo a polícia, foram presas duas ex-servidoras que atuavam no gabinete do vice prefeito, além do chefe do departamento de recursos humanos, chefe do departamento de trânsito e um funcionário terceirizado que atuava na secretaria de Administração.

“Hoje  se desencadeou a 2ª fase dessa operação de campo, com  cumprimento de mandados de busca e de prisão, relacionados as investigações de fraudes milionárias ocorridas no pagamento de servidores da prefeitura. No inicio da manhã, reunimos nossos agentes, assim como os promotores do Ministério Público, nos dirigimos aos endereços dos investigados e bem como seus locais de trabalho”, explicou o delegado Rafael Faria Domingos.


As duas mulheres foram detidas em suas casas.  O chefe do departamento de trânsito se apresentou com um advogado.

O funcionário terceirizado foi detido na rodovia, quando retornava de Colômbia para Barretos.

O chefe do departamento de recursos humanos foi detido num hotel  em Bertioga, onde passava férias com a família.

  “Os cinco mandados de prisão e busca e apreensão foram todos cumpridos com êxito. Também foram apreendidos  quatro veículos pertencentes aos acusados que possivelmente, num momento posterior, serão leiloados para ressarcir o município de eventuais danos praticados com essa fraude. E além  disso foram apreendidos documentos, computadores e celulares que serão objetos de investigação”, ressaltou o delegado.


O dr. Rafael confirmou que o Ministério Público ofereceu denúncia contra os detidos pelos crimes de peculato e organização criminosa, sem prejuízo da apuração de outros crimes posteriores como lavagem de dinheiro. 

“Na verdade essas prisões são decorrentes daquele primeiro inquérito que havia sido concluído. Elas decorreram da denúncia e da representação do Ministério Público para decretação dessas prisões. Algumas dessas pessoas que foram presas hoje participavam do esquema e recebiam valores a mais nos seus salários. Nós prendemos o chefe do departamento de recursos humanos que pelo que se apurou tinha uma função importante no esquema, já que ele controlava também junto com a ex - secretaria de Administração a folha de pagamento dos servidores do município. Ao que se apurou essas duas mulheres lotadas no gabinete do vice-prefeito tinham como função arregimentar servidores para participar do esquema. O chefe do departamento de recursos humanos  tinha função na verdade de manipular a folha de pagamento dos servidores para lançar as verbas indevidas. O chefe do departamento de trânsito também tinha função de arregimentar servidores para participarem do esquema.  E, por fim, o funcionário terceirizado que atuava junto a secretaria de Administração, tinha como função recolher partes dos valores devolvidos pelo funcionário, que iriam ao  que  apurou até o momento em tese para  ex-secretária de Administração do município”, confirmou.

O delegado disse ainda que quanto ao valor desviado, até o momento cerca de R$ 10 milhões, nada impede que durante as próximas investigações apure-se que seja um valor maior.

“Seguem as investigações quanto aos demais envolvidos especialmente os servidores. O trabalho não para por aqui, já que envolve mais de 100 servidores como nós sabemos. Agora estão sendo instaurados outros inquéritos policiais para apurar a conduta de cada um deles, que podem vir a responder por peculato e organização criminosa”, concluiu.


GAECO


O promotor Tiago Fonseca destacou que essa é a segunda fase da operação e que houve oferecimento de denúncia contra nove servidores municipais.

  “Na verdade hoje foi a deflagração da segunda etapa da Operação Partilha. Houve na semana passada o oferecimento de denúncia contra nove servidores municipais pela prática do crime de integrar organização criminosa, que foi responsável por mais de uma centena de crimes patrimoniais. Hoje houve cumprimento desses mandados de prisão em razão do oferecimento da denúncia. Foram apreendidos documentos,  veículos e foi realizada a constrição patrimonial de bens adquiridos com os proventos dos crimes para garantir o ressarcimento ao erário”, disse.


O promotor confirmou ainda que os detidos integravam um núcleo operacional de vital importância para o funcionamento do esquema.

  “Todas essas pessoas compunham ao que a gente denominava de núcleo operacional. Esse núcleo operacional era de vital importância para o funcionamento do esquema, responsável pela organização, aliciamento e recolhimento do dinheiro desviado. As investigações continuam, é um trabalho longo e todos aqueles que de qualquer forma se beneficiaram desse esquema criminoso vão responder por isso”, concluiu


OUTRAS PRISÕES

A primeira fase da Operação Partilha, deflagrada em 10 de abril,  prendeu a ex-secretária de Administração, Adriana Ramos Nunes Soprano, que estava em uma chácara em São Carlos. Já o seu marido Rafael Soprano foi preso em uma casa em Barretos onde foram encontrados relógios, documentos, armas e munições. Eles foram beneficiados com a prisão domiciliar após decisões do Tribunal de Justiça.



GAECO: Promotores Tiago e João Paulo durante entrevista na Seccional



VEÍCULOS: Quatro carros dos envolvidos no esquema foram apreendidos


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