24 de Abril de 2014 | 23:24:32

24/12/2013 | Opinião / Artigos

Carnaval de Rua – 2014

Por Coriolano José Neves

Temos observado a movimentação para a formação da Liga das Escolas de Samba de Barretos, em substituição à controvertida UESBA. Espero que a Liga tenha vindo para moralizar o tão digno trabalho cultural de uma escola de samba.

O carnaval de rua de Barretos vinha se deteriorando com o passar do tempo, mercê de administrações equivocadas do assunto, tanto da Prefeitura quanto das Comissões.

Principalmente as Escolas de Samba equivocam-se com a finalidade desta manifestação popular, que no mínimo é dar expressão ao Samba e oferecer bom entretenimento ao se apresentar. O que se viu de 2000 até hoje foram, salvo poucas exceções, verbas ridículas, apresentações precárias, um verdadeiro festival de coisas usadas e uma ode ao TNT, material um pouco mais resistente que o papel comum. Lembro-me de quando fui jurado que uma escola chegou a atingir o máximo de 98 integrantes, incluindo baianas e bateria. O mínimo era 150 integrantes. Prestação de contas - outro fator de descrédito: tem gente sendo procurada pelo Ministério Público há tempos e que até hoje não conseguiu nem uma nota para justificar o gasto do dinheiro público.

Sim, dinheiro público. A Escola de Samba tem que se responsabilizar pela verba que recebe e prestar contas. Há aí uma grande responsabilidade. Ou então, não aceitem a verba. Digam logo no início se dá ou não pra fazer um trabalho descente com o que está sendo oferecido.

Neste ano, vi esperanças ao saber que todos os dirigentes e stafs das escolas de samba de Barretos passaram pelo SEBRAE, cursaram Empreededorismo.

Venho hoje até você leitor, até você dirigente do samba, para questionar uma intenção por parte da “Liga” de juntar duas escolas de samba numa só, para fazer uma apresentação, propondo que não se tenha concurso, que ficará para 2015.

As grandes perguntas que não podem se calar: Ao ajuntar duas “tribos”, o resultado será positivo? O brilho de cada junção será o dobro do que o de uma escola só? O número de integrantes vai ser a soma de duas escolas, ou será menor ainda? A verba de uma juntada a outra (2 verbas) vai ser percebida no resultado do trabalho na avenida pela população e poderes constituídos? Vai ter sucata de outros anos na avenida? O espetáculo como um todo vai melhorar? Por que cada vez menos o sambista está participando de desfiles? Onde estão as grandes comunidades como Vila Marília, Aruanda, Vila Rios, Camarões, Predinhos e outras que não aderem mais ao samba? Por quê? Aquele que gosta de samba, ainda espera uma escola descente para desfilar?

Respondidas essas questões, gente, bom trabalho e bom Carnaval de Rua!
Coriolano José Neves – Jornalista e Editor
coriart@bol.com.br