14 de Outubro de 2019 | 00:34:03

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03/01/2014 | Opinião / Editorial

A saúde hospitalar barretense em 2014

Até que ponto a grave crise de gestão, econômica e tecnológica da Santa Casa proporcionou a extraordinária evolução do hospital São Jorge?

Até que ponto a grave crise de gestão, econômica e tecnológica da Santa Casa proporcionou a extraordinária evolução do hospital São Jorge? Até onde a política pública municipal de saúde tem proporcionado vantagens estratégicas para o hospital particular ocupar espaços na prestação de serviços?

Fundado em 23 de Agosto de 1969, o Hospital São Jorge prepara as comemorações de 45 anos "em pleno vigor de crescimento".  O "prédio redondo do Velho Bagaço"  foi anexando áreas, com reformas inteligentes, com projetos arquitetônicos modernos e investimentos brilhantes.

Criado em 69 pelo então vice-prefeito, o médico Uebe Rezek,  o hospital São Jorge estabeleceu política interna clara para o corpo clínico e ampliou convênios e serviços de internação, consultórios e tratamentos.  O fundador virou prefeito, deputado, secretário estadual e chefe de gabinete em Brasília, mas a estrutura operacional foi se consolidando de maneira exemplar, alinhando "tradição, excelentes profissionais e equipe capacitada".

- O Hospital São Jorge enfrentou muitas lutas "para chegar na posição em que se encontra atualmente, um dos melhores Hospitais do interior de estado". O Hospital foi vencendo etapas, subindo os degraus do desenvolvimento, até atingir o grau de excelência que desfruta nos dias de hoje.

Portanto, os méritos da instituição são próprios e reais. Os êxitos obtidos pelo São Jorge não podem ser creditados a queda da Santa Casa. Ao contrário. Enquanto o hospital filantrópico foi sendo "arramado" pelo SUS e a gestão plena municipal, o serviço particular foi assumindo as "regras de mercado" para  "suprir" a norma de "atendimento", considerando rentabilidade, eficiência e qualificação. Enquanto a Santa Casa "seguia o modelo estatal" - com todas as exigências políticas - o São Jorge foi aplicando o modelo privado, aproveitando todas as oportunidades legais.

- A estratégia não é exclusividade barretense, porque a crise envolvendo Santa Casa é ampla e geral, enquanto projetos semelhantes ao São Jorge ganharam prestígio e conceito, inclusive perante os pacientes, incluindo a maternidade.
Evidente que a fragilidade do projeto público de saúde barretense - envolvendo postinhos, horários, burocracia,  tempo de espera e qualidade de atendimentos- agrava o abismo comunitário. O cenário público municipal desanimador alavanca o setor privado.  Se há ineficiência na política pública, o "mercado" trata de aproveitar as oportunidades dentro do próprio sistema.

Portanto, é preciso reconhecer o "crescimento auspicioso" do Hospital São Jorge. A unidade clínica hospitalar chega aos 45 anos em 2014 tendo superado o entrave histórico com a classe médica e sem restrições de pacientes de toda região. A missão é eliminar "dragões", inspirado por seu santo protetor.