22 de Setembro de 2019 | 11:36:24

22 de Setembro de 2019 | 11:36:24

16/01/2014 | Opinião / Editorial

José Amin Neto, se é Daher é bom

Por Mussa Calil Neto

Filho do meu primo Amin José Daher e da Toninha, irmão da Sonia e da Bela, Zé Amin herdou o nome do avô, que sustentou a família no balcão da Casa Soberana, na rua 22, no começo da Fortaleza,  vizinha da casa que era dos meus avós e onde hoje crio as minhas filhas.

Faço esta abordagem familiar porque José Amin Daher Neto, precocemente falecido em acidente ocorrido esta semana na Rio/Santos, foi orgulho de Barretos, mas – antes de tudo – o foi de uma família de esportistas que chegou a ter expoentes como seu tio Fauze Daher, titular do BEC e o tio Samir Daher, titular da Seleção do Grêmio,  mas nenhum com o peso e a celebridade do nosso grande tenista.

José Amin nasceu em São Paulo, quando o pai – Amin -  trabalhava na Pirelli, e mudou-se para Barretos com dois anos de idade. O pai, tenista amador de extrema identificação com a nobreza do esporte que deixou de ser chamado “de branco” para ser politicamente correto, de uma determinada viagem trouxe algumas raquetes para os amigos. Uma delas ficou com o garoto que começou no tênis graças a este acaso.

Com dez anos, Zé Amin já estava jogando no Grêmio. Dos 14 aos 18 anos foi considerado o melhor juvenil brasileiro. Acabou integrante da equipe que jogou a Copa Davis durante os anos de1986 (Chile), 1987 (Alemanha) e 1988 (Equador).

O nosso tenista maior foi o único a vencer um set contra André Agassi no Grand Prix de Itaparica em 87, foi parceiro de Fernando Roese em campeonato de duplas de Wimbledon, em 90 foi semi-finalista ao lado de Carlos Alberto Kirmayr no Brasileiro de Quadras Rápidas, e campeão em dois circuitos com Jaime Oncins.

O pai Amin José Daher, que chegou à presidência do Grêmio em 1981, após brilhar como diretor de esportes, foi quem democratizou o quadro social do mesmo com admissão em massa de associados da chamada classe média, reativando a vida social e cultural do clube que era tido como da elite, mas que vivia uma fase de franca decadência.

Amim, que faleceu também recentemente, era um empresário de visão inovadora, inclusive proprietário rural, mas acabou dedicando boa parte de seu tempo ao filho tenista profissional, como agente, técnico e conselheiro. Amin acabou deixando de lado alguns empreendimentos importantes financeiramente, mas sempre viveu muito feliz e realizado com o sucesso de José Amin nas quadras.

E tal como a geração do pai foi influenciada por ícones do tênis barretense como Caetano Galati, Baiano, Dr. Orlando Monsef, Marcos Cotrin e as tenistas Ione Magalini, Lurdinha Froner Franco Vilela,  Zé Amin teve uma carreira que acabou influenciando muitos jovens valores que saíram do Grêmio para brilhar nos circuitos mais importantes. Um exemplo para toda uma geração da nossa Barretos.

Mesmo depois de deixar as quadras como atleta profissional, José Amin continuou prestigiado nas academias que dirigiu, e era querido pelo melhor mundo do tênis brasileiro, que frequentava assiduamente o BARTHOLOMEU, uma charmosa analogia paulistana do BARBOSA, adquirido pelo Zé no bairro do Campo Belo, com uma culinária simples e ao mesmo tempo requintada, chope geladíssimo, gente bonita, interessante, e os primeiros telões de plasma do Brasil.

Neste momento triste da separação, muita força para a esposa, filha e para a família do nosso Campeão, descanse em paz nosso ídolo, O "Guerreiro" José Amin Daher Neto, uma unanimidade esportiva.

Mussa Calil Neto, membro da Academia Barretense de Cultura, ex-diretor, ex-  presidente do Conselho do Grêmio, e com muito orgulho, primo do Zé Amin.