01 de Setembro de 2014 | 20:22:50

01/03/2014 | Opinião / Opinião Aberta

A escola (de samba) campeã em 2014

Por Kleber Aparecido da Silva

O carnaval é um dos eventos culturais de maior propagação tanto na mídia nacional escrita quanto falada. Aliás, é uma das representações culturais no qual nós, quais brasileiros, somos (re) conhecidos no exterior. Quando se indaga aos estrangeiros no exterior: o que é o Brasil ou o que é ser brasileiro, o que lhe vem a sua mente? A resposta é muitas vezes óbvia: mulheres bonitas, futebol e samba. O meu propósito neste artigo não é refletir acerca da constituição deste evento cultural que teve contribuições de outros povos linguísticos e culturais, mas questionar que o que é investido nesta manifestação cultural poderia ser mola propulsora para a construção de novos ideais, sejam eles educacionais, linguísticos e culturais, contribuindo assim para a visibilização do português brasileiro e da cultura brasileira.
Pergunto: dos milhões ou até bilhões que são investidos anualmente com o Carnaval, quantas escolas, quantos “Museus da Língua Portuguesa”, quantas “Pinacotecas” poderiam ser (re) construídas? Quantos teatros? Quantas feiras culturais? A meu ver, centenas ou até milhares. Como educador e formador de professor de línguas defendo veementemente a valorização do profissional que atua nas escolas públicas de ensino. Profissional que tem a grande responsabilidade de contribuir com a educação linguística, ideológica e cultural em uma sociedade em que o professor não é concebido como um profissional, mas como um ocupador.
Para ilustrar: um pai chegou para o seu filho e lhe perguntou: Filho! Na sua opinião, qual é a escola (de samba) que será campeã em 2014?.
O filho pensou, meditou e respondeu: Sabe pai! Gostaria que a escola (de samba) pública fosse a campeã. Porém, com o pouco investimento que é feito neste lugar certamente será a última e será rebaixada para o grupo de acesso.
O pai surpreso perguntou: Por quê?. O menino respondeu: Por que a escola pública na sua grande maioria não cumpre com o seu papel social que é de construir,  por meio de uma educação linguística protagonista, uma sociedade crítica e emancipatória. Pense nisto

Prof. Dr. Kleber Aparecido da SILVA
Coordenador do PIBID/Letras/CAPES/UnB)
Doutor em Estudos Linguísticos (UNESP - São José do Rio Preto)
Mestre em Linguística Aplicada (UNICAMP)
Professor Adjunto 3 da Universidade de Brasília (UnB) no curso de Letras "Português do Brasil como Segunda Língua" (PBSL)