17 de Dezembro de 2018 | 15:05:44

17 de Dezembro de 2018 | 15:05:44

23/01/2016 | Cidade / Geral

Interventor confirma negociação que envolve plano de saúde da Santa Casa

Carteira de usuários é transferida para grupo São Francisco em negócio de R$ 46 milhões

Interventor confirma negociação que envolve plano de saúde da Santa Casa

SAÚDE: Interventor Eduardo Petrov explicou sobre a alienação da carteira de usuários do Santa Casa Saúde para o São Francisco
Tininho Júnior

Ampliar foto

O interventor Eduardo Petrov  confirmou a transferência da carteira de 28 mil usuários do plano Santa Casa Saúde para o São Francisco Saúde numa negociação de cerca de R$ 46 milhões. A mudança será efetivada a partir de 1º de fevereiro e os usuários receberão comunicado conjunto da Santa Casa e do novo gestor.

O valor envolve o pagamento da alienação da carteira de usuários, a garantia de prestação de serviço hospitalar da Santa Casa por cinco anos e o investimento que será feito no hospital, principalmente no Pronto Socorro. A negociação não envolveu o patrimônio do Santa Casa Saúde (imóvel, equipamentos e veículos). 

“Estamos dando hoje uma boa notícia. Os números falam isso”, declarou Eduado Petrov.

O interventor explicou que a ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar – autorizou a alienação da carteira do Santa Casa Saúde e ressaltou que não haverá aumento dos valores cobrados dos usuários.

“Não é venda do plano de saúde da Santa Casa, mas sim a transferência da carteira de usuários para outra operadora, o que vai beneficiar e muito o usuário, porque é uma operadora que tem 750 mil vidas, tem serviços em Ribeirão Preto que não fazemos aqui e uma rede credenciada de médicos muito maior”, argumentou.

Ao lado do advogado Edson Flausino Júnior e do médico Ademir Carvalho Jorge, diretor técnico do hospital, Petrov explicou que desde 2005 a ANS vem cobrando  o desmembramento do plano, pois tanto o hospital como o Santa Casa Saúde tem o mesmo CNPJ, que contraria a legislação. A venda de novos planos estava inclusive bloqueada pela Agência.

“Este imbróglio vem se arrastando e recebemos ofício, em outubro de 2015, dizendo que se não aplicássemos mais R$ 2 milhões de lastro financeiro e não desmembrássemos o plano, teria uma direção fiscal da ANS na Santa Casa, em que uma pessoa da Agência seria designada para administrar o plano, ajustar as contas e depois a ANS entregaria para quem quisesse. Ou seja, poderíamos perder o Santa Casa Saúde”, explicou.

O interventor disse que fez o levantamento financeiro sobre a situação do plano, verificando que em  2015 houve prejuízo de R$ 5 milhões para o hospital.

“Percebemos que a Santa Casa estava subsidiando o plano de saúde”, declarou.

Eduardo Petrov argumentou que várias Santas Casas e hospitais adotaram modelo semelhante para evitar prejuízos, seguindo tendência de mercado.

“A Santa Casa de Belo Horizonte – uma das maiores do Brasil – também fez a transferência da carteira de usuários. Pirassununga e Araraquara também fizeram e este é um fenômeno do mercado”, exemplificou.

Petrov afirmou que o decreto municipal que determinou a intervenção na Santa Casa em julho de 2013 garante poderes para este tipo de negociação.

“Nós demos oportunidade para outros planos, mas a proposta do São Francisco foi a melhor. Aqui não estou gerindo o meu dinheiro, mas estou gerindo recursos públicos, dinheiro da população, e tenho que pensar no que é melhor para o hospital”, declarou.

Além das 28 mil vidas, o plano Santa Casa Saúde tem atualmente cerca de 180 médicos prestadores de serviços, rede credenciada e 54 funcionários.

RECURSOS
Eduardo Petrov disse  que os recursos obtidos serão usados para cobrir o déficit mensal da Santa Casa de cerca de R$ 500 mil, além de outras melhorias. 

A negociação permitirá também a liberação para a Santa Casa de R$ 2,5 milhões, depositados como lastro financeiro para atender exigência legal de manutenção do plano Santa Casa Saúde.

“A Santa Casa estava subsidiando o plano de saúde que era deficitário e temos que cuidar  do hospital e não do plano”, finalizou o interventor.