23 de Setembro de 2019 | 17:13:22

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01/09/2012 | Esporte / Crônica

O que faz a diferença no time da APAB?

Por Luiz Antonio Monteiro

O mais que isto é Jesus Cristo.Que não sabia nada de finanças e nem consta que tivesse biblioteca.
Fernando Pessoa

O poeta português com um tom jocoso dá maravilhoso resumo de vida cristã.
Ficamos preocupados, com medo e ansiosos, por ganhar dinheiro e aprender sobre tudo. Na verdade, o que precisamos é da paz espiritual, da felicidade de viver, assimilar a mensagem de amor de Cristo.
Foi com este pensamento que tive na quarta-feira, no Centro de informação e Cultura dom José de Mattos Pereira, agradável encontro com a equipe sub-15 de basquete feminino de Barretos.

- Eu não sou professor, nem motivador. Eu sou um torcedor da APAB.
O encontro serviu para que pudesse mostrar carinho e amor pela equipe, realizando reflexão sobre comportamentos em grupos, visando encontrar o roteiro de um time ético, competente e consciente.
O objetivo era apresentar "motivos" para que cada atleta encontrasse o seu próprio entusiasmo para sua atividade e cotidiano. Cada uma vai ter oportunidade de se ver, se identificar e descobrir o que efetivamente quer.

A base do encontro foi a exibição do filme Seabiscuit, que  conta várias histórias sobre "uma nova oportunidade". A chance para um país e sua gente depois de uma grave crise econômica. O cavalo e o cavaleiro, o dono e o treinador. Todos têm nova chance para ser feliz. Todos têm um problema, uma dificuldade real e difícil. O que cada um faz com sua oportunidade é a chave para a vida.
Os especialistas destacam a importância da relação consigo mesmo e da relação com o mundo. Ora pela introspeção, ora pelo conhecimento, pela vontade e pelos sentimentos.

Um time vencedor, competitivo e talentoso como o da APAB avança na medida em que cada atleta tem conhecimento interior e ciência exterior. Desenvolve seu potencial próprio, assim como fomenta sua parte técnica. Aprimora seu "eu" e sua sabedoria sobre o "mundo do basquete", em seu sentido técnico e tático.

O que faz a diferença no grupo barretense de basquete é a enorme capacidade que a equipe tem de valorizar um "terceiro plano de relacionamento". Não se faz nem por introspecção nem por conhecimento objetivo. A evolução não se encontra na própria intimidade apenas, nem se atinge pela ciência do jogo. É o conjunto.

Cada atleta é um indivíduo, com seus pensamentos, sentimentos e vontade. Cada uma tem sua personalidade. Porém em quadra, cada uma é complemento da outra, deixando de ser só para ser um todo. É uma relação que move e promove, que vive e convive, passa e repassa, união e partilha.
Eis a diferença entre um bom time e uma equipe extraordinária.

Luiz Antonio Monteiro é membro da ABC e cronista esportivo