24 de Março de 2017 | 20:59:51

19/03/2017 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Oftalmologista alerta sobre glaucoma que pode levar à cegueira

Doença atinge qualquer faixa etária e pode não apresentar sintomas

Oftalmologista alerta sobre glaucoma que pode levar à cegueira

INFORMAÇÃO: Dra Daniela Monteiro de Barros disse que controle da doença deve se feito constantemente
Divulgação

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A médica oftalmologista Daniela S. Monteiro de Barros (CRM 109.939) explica nesta edição o que é o glaucoma  e a importância de exames específicos para detectar a doença que pode levar à consequências mais sérias para visão. A especialista informa que na “Semana Mundial de Conscientização e Combate à Cegueira” a melhor forma de prevenção é o diagnóstico correto. Acompanhe a entrevista:

O Diário: O que é glaucoma?
Dra Daniela: O glaucoma é uma doença ocular do nervo óptico provocada principalmente por uma pressão ocular elevada. Esta doença possui componentes hereditários, sendo assim, as pessoas que apresentam casos de glaucoma na família devem procurar um oftalmologista periodicamente.

O Diário: O que é o nervo óptico?
Dra Daniela: É uma espécie de “cabo” formado por fibras nervosas que conecta o olho ao cérebro para lhe transmitir imagens.

O Diário: Porque a pressão ocular aumenta?
Dra Daniela:A pressão intraocular aumenta quando o mecanismo de drenagem do líquido produzido dentro do olho está comprometido ou sua produção esta elevada.

O Diário:O glaucoma pode causar cegueira?
Dra Daniela: Sim. O glaucoma é a principal causa de “cegueira irreversível” em todo o mundo, acometendo cerca de aproximadamente 67 milhões de pessoas. Cerca de 10 % destas são cegas de ambos os olhos.

O Diário: Quem pode ter glaucoma?
Dra Daniela: Qualquer um. O glaucoma pode acontecer em pessoas de qualquer idade, sexo ou raça, porém há indivíduos com maior risco de desenvolvimento da doença.


O Diário:Quem tem maior risco?
Dra Daniela: Pessoas acima de 40 anos, com história familiar de glaucoma, raça negra, altos graus de miopia ou hipermetropia, diabéticos e usuários crônicos de corticosteroides (sob a forma de colírios principalmente ou de uso oral).

O Diário: Crianças podem ter glaucoma?
Dra Daniela: Sim. Embora pouco comum, alguns tipos de glaucoma podem acometer crianças, incluindo recém nascidos.

O Diário: Quais os tipos de glaucoma?

Dra Daniela: Os glaucomas  em geral  podem ser divididos em 2 grandes grupos: os de ângulo aberto e os de ângulo fechado. A palavra “ângulo” se refere ao sistema de drenagem do humor aquoso (líquido produzido dentro do olho). No glaucoma de ângulo aberto, a entrada de via de escoamento está livre, porém há obstrução no seu trajeto. É como se a “boca do ralo” estivesse livre, mas o sifão entupido. No glaucoma de ângulo fechado, a obstrução está na entrada de via de escoamento do humor aquoso, é como se a “boca do ralo” estivesse entupida.

O Diário: Quais os sintomas da doença?
Dra Daniela: Na maioria dos casos “não há sintomas” até as fases mais avançadas da doença. Deste modo costuma-se afirmar que o glaucoma é “traiçoeiro”. Sintomas como a diminuição na visão periférica aparecem tardiamente na doença, quando mais da metade do nervo óptico já foi perdido. A visão central é a última à ser comprometida. Outros sintomas podem ocorrer, particularmente no glaucoma de ângulo fechado, tais como: dor nos olhos e na cabeça, vermelhidão ocular, lacrimejamento, embaçamento visual, halos coloridos ao redor de luzes, entre outros sintomas. No glaucoma avançado o indivíduo tem a impressão de estar olhando através de um tubo estreito, o que chamamos de visão tubular. A progressão da doença leva ao fechamento progressivo desse tubo.

O Diário:Como é feito o diagnóstico?
Dra Daniela: O diagnóstico do glaucoma é feito pelo exame oftalmológico completo, associado a exames específicos complementares “Propedêutica de Glaucoma”, também devem ser levados em consideração a avaliação dos fatores de risco como hereditariedade, idade, raça, entre outros.


O Diário: O diagnóstico é difícil?
Dra Daniela: Nas fases tardias da doença o diagnóstico é relativamente fácil, pois a aparência do nervo óptico é bastante característica, bem como o padrão de alteração do campo visual. Porém o grande desafio é o diagnóstico precoce, antes que haja um comprometimento visual significativo. Para que o diagnóstico precoce seja feito é necessário um exame oftalmológico minucioso do nervo óptico e do sistema de drenagem do humor aquoso, além dos devidos testes complementares.

O Diário: O que fazer para prevenir o glaucoma?
Dra Daniela: Não há métodos comprovadamente eficazes de prevenção do glaucoma. Recomenda-se, como atitude mais importante, um exame oftalmológico completo, obviamente com médico oftalmologista. Um inocente exame de rotina que fazemos para óculos engloba investigação dos principais sinais silenciosos do glaucoma. Por isso que não se recomenda a compra de óculos sem receita e consulta médica, pois é nesse momento da consulta de óculos que se tem a oportunidade de ser avaliado para outras doenças como o glaucoma.

O Diário: Como é o tratamento?
Dra Daniela: Existem 3 formas de tratamento: o tratamento clínico consiste na instilação diária de colírios que reduzem a pressão ocular. Temos vários colírios hoje disponíveis para o tratamento do glaucoma. Cada paciente terá uma necessidade em especial  e o acompanhamento precisa ser constante para que a eficiência do medicamento seja sempre verificada. Outras possibilidades de tratamento são: a Trabeculoplastia Seletiva a Laser  para Glaucoma (SLT) ou as cirurgias antiglaucomatosas. Lembrando que mesmo na realização da cirurgia o acompanhamento continua sendo necessário para checar, sempre o seu funcionamento.

O Diário: Existe cura para doença?
Dra Daniela: Por enquanto, infelizmente, não. Como já vimos, uma vez feito o diagnóstico correto de glaucoma o que existe é o controle, que deverá ser feito por toda vida. Esse controle é feito de forma complexa e específica, por isso a importância de um oftalmologista especializado, pois a redução, da pressão ocular a níveis mais “seguros” não significa que a doença está controlada. Para tanto é necessário exames de rotina denominados “Propedêutica para Glaucoma”