19 de Agosto de 2017 | 04:21:59

12/08/2017 | Cidade / Cidade

Comissão critica decisão que barrou investigação contra Temer

Dom Milton e padre Luiz Paulo assinam documento divulgado pela diocese

Comissão critica decisão que barrou investigação contra Temer

Bispo dom Milton Kenan Junior e padre Luiz Paulo Soares
Tininho Júnior

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A comissão Fé e Ci­dadania da Diocese de Barretos divulgou nota criticando a decisão da Câmara dos Deputados que rejeitou a autori­zação para que o STF julgasse a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Te­mer. “Esperávamos que o Congresso Nacional, num gesto de amor pelo nosso país e, de compro­misso com a estabilidade econômica e política do Brasil, tivesse a coragem de permitir que os fatos fossem apurados e, os verdadeiros responsáveis por eles respondessem diante da justiça pela sua conduta”, afirma a nota assinada pelo bispo dom Milton Kenan Júnior e pelo padre Luiz Paulo Soares. A seguir, a ínte­gra do documento, que foi divulgado ontem.

Como membros da Co­missão “Fé e Cidadania” da Diocese de Barretos sentimos a necessidade de vir a publico, mani­festar nossa preocupa­ção diante dos destinos da nossa Nação.

Ao acompanhar, no último dia 2 de agosto, a votação na Câmara de Deputados, que rejeitou a autorização para que o Supremo Tribunal Fede­ral julgasse a denúncia por corrupção passiva contra o Presidente da República, ficou com­provado mais uma vez que sobre os interesses da Nação e a promoção do bem comum preva­lecem os interesses seja de partidos políticos ou grupos econômicos que se beneficiam com a si­tuação de instabilidade que vive o nosso país.

Diante de denúncias tão sérias e provas tão eloquentes, esperáva­mos que o Congresso Nacional, num gesto de amor pelo nosso país e, de compromisso com a estabilidade econômica e política do Brasil, ti­vesse a coragem de per­mitir que os fatos fossem apurados e, os verdadei­ros responsáveis por eles respondessem diante da justiça pela sua conduta.

Afirmar que esse pro­cesso acarretaria ao Brasil desestabilidade econômica e financei­ra é a demonstração de que mais importante do que o bem comum está a economia e o interesse do mercado.

Nestes últimos meses, a votação da reforma tra­balhista, o aumento do PIS e da COFINS sobre a gasolina, diesel e eta­nol, a votação contra a apuração das denúncias apresentadas pela Pro­curadoria Geral da União contra o Presidente da República nos preocu­pam, pois não só desres­peitam princípios garan­tidos pela Constituição, como também permitem que as conquistas de grande parte da popula­ção brasileira não sejam tratadas com o respeito que lhes compete.

Em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que já mani­festou várias vezes sua preocupação diante da conjuntura política e econômica que prevale­ce entre nós, queremos também tornar pública nossa indignação dian­te da omissão e dos desmandos de grande parte da classe políti­ca da nossa Nação que parece ignorar a justiça, excluindo os milhões de desempregados, aque­les que aguardam por atendimento médico, as vítimas da violência e do crime organizado, os muitos jovens negros e pobres das periferias das nossas cidades, e os trabalhadores que an­seiam por um pedaço de terra para garantir a sobrevivência de suas famílias, do direito de viver com dignidade e, mais ainda de esperar por um mundo justo e solidário onde todos sejam tratados com os mesmos direitos e as mesmas oportunidades.

Embora tenham mu­dado os nomes e as si­glas, convivemos ainda com uma grande maio­ria da classe política cuja mentalidade é de que tudo vale para man­ter-se no poder; mesmo que à revelia do direito, e em prejuízo dos mais pobres e necessitados.

Quando advertido pe­los fariseus para que calasse os que o aclama­vam como “Rei de Israel, ao entrar na cidade de Jerusalém onde haveria de sofrer a Paixão, Jesus respondeu: Se eles se calarem, as pedras grita­rão” (Lc 19,40).

Barretos, 11 de agosto de 2017.

Comissão Fé e Cidadania da Diocese de Barretos

Dom Milton

Kenan Júnior

Pe. Luiz Paulo Soares