25 de Setembro de 2018 | 10:21:24

15/04/2018 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Fonoaudióloga alerta sobre cuidados com a voz na infância

Pais devem estar atentos às alterações na fala, audição e linguagem

Fonoaudióloga alerta sobre cuidados com a voz na infância

CUIDADOS: Anna Paula Jode Galati destaca que problemas na infância podem comprometer fase adulta
Jânio Munhoz

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A voz é a forma mais importante de expres­são e interação com o mundo e precisa ser cuidada desde a infân­cia. Para alertar sobre a importância da saúde vocal, dia 16 de abril é lembrado pela Socieda­de Brasileira de Fono­audiologia como o “Dia Mundial da Voz”. Nesta edição, a fonoaudióloga Anna Paula Jode Galati (CRFa 2/1122) alerta aos pais sobre os prin­cipais cuidados com os filhos desde cedo.

O DIÁRIO: Quando os pais devem procurar a ajuda de um fonoau­diólogo?

Anna Paula: O fono­audiólogo é o profis­sional capacitado para trabalhar com comuni­cação humana, sempre que os pais perceberem alguma alteração re­lacionado à voz, fala, audição ou linguagem, é importante que bus­quem uma orientação. Quando se trata de atra­so na fala, por exemplo, é muito comum ouvir as pessoas falarem para esperar até os três anos que a criança vai come­çar a falar. Hoje já sa­bemos que não é bem assim, uma criança com atraso no desenvolvi­mento deve ser estimu­lada o quanto antes. Se a criança tem voz rouca com frequência é ne­cessário compreender o que está acontecendo com uma avaliação es­pecializada pelo otorri­no ou fonoaudióloga.

O Diário: Existem testes específicos que podem detectar proble­ma vocal nas crianças?

Anna Paula: Sim, ao perceber que a criança está apresentando rou­quidão por falar muito ou gritar deve-se pro­curar um médico otor­rinolaringologista que fará exames específicos para definir o que está realmente acontecendo. O fonoaudiólogo, en­tão, realiza testes clíni­cos e define um plano de tratamento.

O Diário: Criança re­cém nascidas podem ser asssistidas por um fono?

Anna Paula: Com certeza, hoje a fono­audiologia já faz par­te da equipe de UTI neonatal,onde avalia os reflexos orais, suc­ção e sua coordenação com a respiração e de­glutição, definindo as condições de alimen­tação do bebê e qual meio utilizará para tal. Também em ber­çários fazemos estimu­lações dos bebês que tem dificuldades para amamentar e realiza­mos o teste da orelhi­nha. Nos consultórios, atendemos bebês que apresentam atrasos ou síndromes,sendo que as técnicas e objeti­vos mudam conforme diagnóstico e idade.

O Diário: Quais os principais tratamentos na infância? Quanto tempo duram?

Anna Paula: Na fo­noaudiologia existem muitas especialidades, geralmente na infância trabalhamos com atra­sos no desenvolvimen­to, alterações nas fun­ções de alimentação, atraso ou trocas na fala, deficiência auditiva, ga­gueira e dificuldades em acompanhar a escola. Para definir o tempo do tratamento é realizada uma avaliação específi­ca e individual.A partir do que temos como hi­pótese diagnóstica de­finimos os objetivos e tempo de atuação.

O Diário: Proble­mas de fala não diag­nosticados na infância comprometem a fase adulta?

Anna Paula: Sem dú­vida. A primeira im­plicação em alterações na fala é a socialização, pois a utilizamos como meio de interação. De­pois temos influência na alfabetização, já que sabemos que ler é transformar os sons em letras, e, se a criança fala errado, pode apre­sentar dificuldades nesse processo. Então, sugiro que os pais, ou responsáveis, ao perce­berem algo na fala de seus filhos, procurem uma orientação.

O Diário: Como os pais podem ajuudar os filhos em casa?

Anna Paula: Obser­var como está sendo o desenvolvimento da criança e falar corretamente com ela. Participar das atividades escolares e usar um pouco de seu tempo para brin­car com seus filhos também é indicado. É importante ressaltar que cada criança tem seu tempo e se desen­volve de acordo com o meio em que vive, mas não podemos esquecer que temos parâmetros de desen­volvimento. A partir deles percebemos si­nais de algo não está correto. Assim, sem­pre que tiver dúvida, procure um fonoau­diólogo.

O Diário: Como proceder depois da alta e qual tempo mé­dio das terapias?

Anna Paula: Ge­ralmente os pais são orientados de acordo com o caso e a alta vai depender do que foi trabalhado. As te­rapias podem ser de 30 a 45 minutos, uma ou duas vezes na se­mana.