15 de Outubro de 2018 | 20:39:00

15/07/2018 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Barretos inicia campanha de valorização do parto normal

Coordenadoras da secretaria de Saúde e da Santa Casa destacam o tratamento diferenciado para a mulher

Barretos inicia campanha de valorização do parto normal

SAÚDE: Maria Cristina Meinberg (secretaria de Saúde) e Maria Aurélia Assoni (Santa Casa) explicaram sobre o projeto que destaca a importância do parto normal
Tininho Junior

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Um projeto entre secretaria municipal de Saúde e Santa Casa de Barretos tem como objetivo valorizar as boas práticas de atenção, desde o acompanhamento no pré-natal, no nascimento e no parto humanizado. Segundo a coordenadora de Educação Permanente da secretaria de Saúde, Maria Cristina Meinberg, entre as metas está diminuir a alta taxa de cesáreas que a cidade tem hoje. Durante 2017, foram realizados 1.733 partos cesarianos em Barretos e 241 normais. A ação conjunta entre a prefeitura e o hospital barretense tem participação de Maria Aurélia Assoni, da Educação Permanente da Santa Casa. Ela destacou que é importante o trabalho unificado e a capacitação de todos os profissionais envolvidos, além da conscitienzação própria mulher, que terá o poder de decisão sobre o parto. Segundo elas, o parto humanizado é a valorização da mulher, fornecendo-lhe um tratamento de maior qualidade, que acaba resultando também na melhor saúde do bebê ao nascer.

O Diário: De que forma será feito esse projeto?
Maria Cristina Meinberg: O município de Barretos tem uma alta taxa de cesáreas. O Ministério da Saúde preconiza 15% de cesáreas, nós temos muito mais. A gente quer mudar esse quadro. E para isso, temos que mudar a cultura, desde a gestante até os médicos. Temos que fazer a integração entre Santa Casa, onde vai ser recebida a gestante, e atenção primária e secundária. Fizemos um projeto que vai fortalecer a rede, que é do cuidado com a mulher gestante. Reunidos todos os GO (ginecologistas e obstetras) da atenção básica, ouvimos e pactuamos alguns pontos. Depois, reunimos todos os generalistas da estratégia da saúde. Vamos fechar um protocolo de Barretos de GOs com a participação de todos os médicos envolvidos com essa gestante. Estamos capacitando todos os agentes de saúde, de técnico de enfermagem e as enfermeiras. Essas pessoas se deslocam para a Santa Casa, vão conhecer o complexo, que está mudado e vai conhecer a equipe nova com a proposta do parto humanizado.

O Diário: De que forma o parto pode ser humanizado?
Maria Aurélia Assoni: A concepção é diferente no sentido que o parto humanizado é para valorizar a mulher e o atendimento dela. A gente acredita que a mulher, com essas orientações todas, pode ser empoderada, valorizada, e ela mesma escolher o que quer. Não só ouvir a gente dizer que é para ter o parto normal ou não. Mas que elas venham desde a atenção básica com essa conversa inicial de que é possível, sem aqueles medos que apresentam e já chegar no hospital mais tranquila e familiarizada com o tema. Tendo a opção de escolha, algo que antigamente não existia. A mulher chegava e o que tinha era a realização da cesárea. Hoje temos um novo olhar. Esse projeto é o fortalecimento da rede de atenção ao cuidado obstétrico do município. Desde a atenção primária, secundária e terciária. Na atenção primária, ela sendo atendida por ginecologistas da rede do município ou da atenção básica, os médicos ginecologistas ou generalistas, que estão na estratégia de saúde da família, na organização social ou nas UBSs. Depois disso, ela vai para o nível secundário, as mulheres que têm um risco obstétrico. E depois, elas vão para um nível terciário que é o hospital, a Santa Casa. A ideia é alinhar todas essas conversas. Não adiantava a prefeitura fazer uma ação linda e não ter esse olhar de continuidade. E também não adiantava só a Santa Casa fazer esta ação, mas as mulheres não virem com esse olhar que a gente esperava. Para isso foi feito o projeto, para todos falarem a mesma língua. Um dado interessante que temos são quantos bebês foram para a unidade neonatal, que é a UTI neonatal. Percebemos que teve uma diminuição drástica desse número, que agora estão nascendo mais saudáveis. Acreditamos que os gestores, tendo esse olhar diferenciado, nos apoiam muito mais. Temos também a meta de capacitação profissional. Esperamos não só a capacitação, mas o alinhamento. Os médicos vão ter um alinhamento de fluxos e processos. Eles deixaram um protocolo pronto, todos vão olhar para ele e verificar o que vai ser seguido ou não. A gente acredita que todos sabem, mas só vamos ter que alinhar algumas conversas. Depois disso, vamos ter a meta três. São os grupos de gestantes, que serão fortalecidos para as UBSs que já existem. E a criação de cursos nas UBSs que não existem.

O Diário: O que diferencia o parto humanizado do parto normal?
Maria Aurélia Assoni: É o parto que a gente olha para a mulher com um olhar específico para ela. Agora, trabalhamos com um acompanhante de livre escolha, não é só o pai que vai estar do lado dela. Ela quem escolhe, porque às vezes é melhor estar a mãe, às vezes é melhor a irmã dela e às vezes o marido. Isso a gente chama de 'cuidado amigo da mulher', uma recomendação do Ministério da Saúde. A mulher pode caminhar no momento do parto. Ela se sente livre. Antigamente, a mulher ficava presa na cama, não podia andar, não podia falar, não podia nada. Hoje, ela pode caminhar, pode receber líquidos e alimentos leves. Antes, se ela ficava em trabalho de parto três dias, ela ficava sem se alimentar. Ela vai receber a estratégia dos métodos não farmacológicos de alívio da dor. Significa que ela vai poder receber uma massagem do marido, acompanhante ou da nossa equipe. Ir para o chuveiro e deixar a água quente cair. São métodos que ajudam a ficar mais tranquila. Nosso ambiente é com luzes mais reduzidas, o mínimo de ruído possível. E pode escolher a música que quiser no momento do parto dela. Trabalhamos também com os métodos não invasivos, redução de episiotomias, de medicamentos. Da forma mais natural possível para o bebê nascer.

O Diário: Por que é importante valorizar o parto normal para a mulher?
Maria Aurélia Assoni: O parto normal é mais interessante que a cesárea porque a recuperação é muito mais rápida. Também reduz o risco de infecção hospitalar e tem um melhor vínculo com o bebê. Isso quer dizer que a cesárea a gente abomina? Não. A gente gosta de falar que às vezes ela é necessária. Se a mulher quer fazer a cesárea, a gente vai entender a mulher, que é a humanização da prática, do cuidado obstétrico. Vamos ter o cuidado de aguardar depois de 41 semanas, aguardar entrar em trabalho de parto para fazer isso e mesmo as cesáreas na Santa Casa hoje, também são humanizadas. Assim que o bebê nasce, a gente vai colocá-lo em contato pele a pele com sua mãe, se estiver em condições. Vamos favorecer o aleitamento materno na primeira hora de vida. E favorecer o clampeamento tardio do cordão umbilical. Quanto mais esse líquido passar pelo cordão umbilical, quanto mais tempo demorar, é melhor para o bebê. E quem faz esse clampeamento, que é uma coisa inovadora no Brasil e no mundo, é quem ela escolhe, quem está do lado dela, o acompanhante. Isso tem um significado. O rompimento da mãe com o bebê, o pai fazendo isso, dando uma ligação entre os três.