18 de Novembro de 2018 | 06:43:31

23/08/2018 | Opinião / Opinião Aberta

Depressão: o negligenciado mal do século

Por Roberta Carlucci

Muito mais do que as sete faces des­critas por Drummond, o ser humano é extremamente multifacetado. A tristeza, por exemplo, pode possuir vários tipos e reações. Mas e quando essa se transfor­ma em doença? Como proceder quando a depressão, uma das doenças mais co­muns do século XXI, começa a dar as caras?

A depressão é a patologia psiquiátrica responsável por um dos maiores índi­ces de incapacitação existentes: são 350 milhões de pessoas sofrendo com essa tristeza crônica e todas as adversidades que ela causa; como alterações bruscas de humor e apetite, distúrbios do sono e falta de ânimo para realizar atividades do dia a dia. E, por incrível que pareça, o maior desafio não é somente curá-la, mas sim fazer com que essa doença seja vista como tal. Não é raro debatermos enfermidades físicas. Mesmo aqueles que não trabalham na área da saúde, sa­bem da importância de cuidar de uma gripe, dor de cabeça ou machucado. No entanto, com a saúde mental, isso não acontece. Encaramos como normais, sintomas claros de depressão, e mais: dizemos fracos aqueles que os sofrem. Essa situação causa uma grande negli­gência, e até vergonha entre os pacien­tes. É bem provável que você conheça e seja próximo de alguém com depressão e nem faça ideia disso.

Depressão não é – e tampouco pode ser vista como - ‘’fres­cura’’. Não é preguiça. Não é falta de um relacionamento ou religião. É uma do­ença que causa alterações químicas no cérebro e que possui tratamento. Falta de interesse na rotina, pensamentos ne­gativos e até suicidas, falta ou ausên­cia de autoestima. Tudo isso não pode ser ignorado ou visto como fraqueza. É possível vencer a depressão. É possível lidar com ela de forma a ter uma vida normal e de sucesso, como provam o maior medalhista olímpico de todos os tempos, Michael Phelps e uma das es­critoras mais aclamadas do mundo, J.K. Rowling. Urge debater sobre o assunto. Ter empatia com aqueles que a sofrem. Buscar e oferecer ajuda. A doença que a OMS chama de ‘’mal do século’’ não pode ter a negligência aliada.

Roberta Carlucci, estudante do 4º período do curso de Medicina da FACISB, orientada pelo prof. Dr. André Luiz Ventura