11 de Dezembro de 2018 | 16:21:01

14/10/2018 | Opinião / Editorial

O almoço e o jantar dos políticos

O conceito político focado no poder deixa de avaliar os recados das urnas

O político almoça pensando no jantar, disse o jornalista José Maria Trindade, durante o Jornal da Vida. O sentido é claro. Nem terminou a eleição e o político já pensa no próximo pleito. Ou até no próximo cargo. O deputado eleito quer ser secretário. O senador eleito quer ser ministro ou cargo na mesa do congresso.

O conceito político focado no poder deixa de avaliar os recados das urnas. Grande perigo. O debate político no almoço precisa atender a sociedade, a comunidade, entender as exigências do cidadão, da coletividade, fomentando a própria democracia como resposta as condições de dignidade humana e construção da justiça.

Mas o prato apresentado segue voltado para o poder pessoal, que quer levar para o jantar o “cardápio feito”, que assegure vantagens de alas e grupos, mantendo o jejum de planos, programas e projetos amplos, agregadores e transformadores.

A resposta barretense a voz das urnas ainda não produziu sinais novos na classe política. As palavras não foram objetivas, o silêncio foi de indiferença e os gestos não demonstram retomada de aproximação com o cidadão eleitor.

A disputa pelo governo estadual é excelente oportunidade para revisão da política barretense, após os números apurados em 7 de outubro. A derrota foi clara, matematicamente mensurável e partidariamente visível.  As desculpas esfarrapadas e a miopia de bom senso devem ser superadas, para que a cidade tenha agora despertar inteligente, maduro e verdadeiro. O que parece difícil, incerto e inviável é no caso barretense necessário, imediato e inadiável.  Mudar o cardápio do almoço e um jantar nutritivo para todos.