11 de Dezembro de 2018 | 17:00:47

14/10/2018 | Cidade / Cidade

Pesquisa ajuda a salvar vidas de pacientes com câncer em Barretos

Instituto ligado à Fundação Pio XII é referência internacional na área científica

Pesquisa ajuda a salvar vidas de pacientes com câncer em Barretos

Médicos Rui Reis e José Elias
Tininho Júnior

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O trabalho desenvolvido pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) permite a melhoria no atendimento aos pacientes do Hospital de Amor. A colocação é do dr. Rui Manuel Reis, responsável pelo serviço, citando que o conhecimento gerado permite a aplicação de medicina personalizada. “O objetivo primeiro é conhecer a genética do paciente, porque o médico oncologista precisa da pesquisa para direcionar o tratamento. No caso do câncer de pulmão, por exemplo, isso já é uma realidade e pode significar diferença entre a vida e a morte do paciente. Oferecemos um tratamento personalizado de acordo com as características de cada pessoa”, resume.

RECONHECIMENTO
O Instituto começou em 2010. O objetivo era montar centro de excelência, partindo do entendimento do gestor Henrique Prata de que é preciso desenvolver a medicina personalizada, em que o resultado da pesquisa seja aplicado em benefício do paciente. Desde então foram muitos os desafios até a conquista do reconhecimento internacional através da Scimago Institutions Rankings agora em 2018.

A instituição apontou o hospital barretense em primeiro lugar na área de pesquisa em saúde na América Latina, superando serviços de grandes centros.  “Em 8 anos implantamos uma estrutura para ser centro de referência, com a execução de um trabalho de excelência aqui em Barretos”, explica o dr. Rui Reis.

“Esta classificação comprovou a excelência do trabalho realizado”, completa o dr. José Elias Miziara, um dos pioneiros da equipe da Fundação Pio XII. “O que nos deixa orgulhosos é que este primeiro lugar no Brasil e na América Latina no ranking da saúde é de uma instituição localizada numa cidade do interior, de 100 mil habitantes, que atende 100% de pacientes SUS e que graças ao gestor Henrique  Prata, consegue dar uma assistência médica de alto padrão, humanizada e apoiada por uma pesquisa científica reconhecida internacionalmente”, afirmou. 

O ranking da Scimago baseou-se no trabalho desenvolvido no período 2012 a 2016 e classificou 5.637 instituições, sendo 903 do setor de saúde. Na América Latina, 355 centros de todos os setores foram incluídos, dos quais 33 são da saúde. No Brasil, foram listadas 144 instituições de todos os setores, sendo 11 da área em questão. Neste ano, nacionalmente, o Hospital de Amor ficou em oitavo lugar, considerando todos os setores, e em primeiro no levantamento que diz respeito à saúde. Já na América Latina, está em 13º - considerando todos os setores – e também lidera o ranking na área da saúde. “Não temos a preocupação de sermos o primeiro, mas o resultado é motivo de alegria e orgulho, pois comprova que fazemos aqui pesquisa de ponta, com inovação e tecnologia. O significado é mais responsabilidade, para manter esta posição. O resultado é fruto do desempenho e dedicação de toda a equipe, além da parceria com universidades e instituições do Brasil e do exterior”, afirma o diretor Rui Reis. A estrutura do Instituto de Ensino e Pesquisa foi viabilizada com recursos obtidos através de agências de fomento à pesquisa do Brasil e exterior, que até permitem a continuidade dos trabalhos. 

O médico José Elias Miziara, por sua vez, lembra que o dr. Paulo Prata, fundador do hospital, sempre dizia que uma instituição para ser qualificada, deveria ter atuação em cinco áreas: diagnóstico, tratamento,  prevenção, ensino e pesquisa.   

Em relação a diagnóstico e tratamento, o dr. José Elias cita a evolução do Hospital desde o início do projeto, com o Hospital São Judas Tadeu, no centro da cidade onde se iniciou a Fundação Pio XII.  “Era um hospital pequeno e com poucos recursos, mas o dr. Paulo conseguiu montar uma equipe de oncologistas vindos da Universidade de São Paulo e do Hospital A. C. Camargo e que mesmo com poucos recursos conseguia dar uma assistência médica de qualidade e humanizada que pouco a pouco foi atraindo pacientes oncológicos de toda região”, contou,
A partir daí, sob a gestão do seu filho, Henrique Prata, houve um crescimento vertiginoso  da Fundação principalmente na unidade I no bairro Paulo Prata. “O pequeno  Hospital São Judas Tadeu, onde tudo se iniciou, foi reformado e hoje atende pacientes que  necessitam de cuidados paliativos”, conta.

Foram construídos também o Hospital Infantil e o Ircad, que é uma escola francesa para cirurgias  por videoscopia (técnica de realização da cirurgia minimamente invasiva). A Fundação conta ainda com o Hospital de Jales e o Hospital  de Câncer da Amazônia, em Porto Velho (RO), e mais nove prédios  de diagnóstico e prevenção  espalhados pelo país. “Toda esta estrutura física permite a um corpo clínico de mais de 200 médicos, nas várias subespecialidades oncológicas, oferecer aos pacientes uma assistência médica de alta qualidade, atendendo pelo SUS pacientes de praticamente todo o território nacional, adquirindo  um importante caráter social”, completa o dr. José Elias.

O trabalho de prevenção iniciou-se em 1994 com o intuito de melhorar o diagnóstico precoce de  câncer em Barretos e região. Depois, sob o comando do dr. Edmundo Mauad, o projeto cresceu, ganhou estrutura e se expandiu para outras regiões do país, transformando-se em referência pela qualidade e pioneirismo na América Latina. Atualmente o Hospital possui nove prédios de prevenção e 14 unidades móveis para a prevenção nas áreas mama, pele, colo uterino, próstata, boca, cólon e reto.

“Em Barretos temos o selo de creditação holandesa para os exames de mamografia e  é o único lugar, fora da Holanda, que tem esse modelo de creditação que é considerado um dos melhores do mundo”, afirmou o dr. José Elias. “O Md Anderson Cancer Center  e a Rice University estão avaliando um aparelho que faz o diagnóstico pela análise das imagens mamográficas e Barretos foi escolhido para ajudar a testar o aparelho aqui”, completou o médico barretense.