19 de Dezembro de 2018 | 08:21:39

19 de Dezembro de 2018 | 08:21:39

08/12/2018 | Opinião / Editorial

A raposa, as uvas e os barretenses

As fábulas produzem efeitos no campo sociológico.

Durante o almoço, um barretense recordou o sentido das fábulas de Esopo como metáforas para todos os tempos. Assim como as parábolas têm significado teológico, as fábulas produzem efeitos no campo sociológico.

Era uma vez uma raposa faminta, conta a fábula. A raposa não conseguia pegar as uvas maduras na parreira a sua frente. Os obstáculos eram tão grandes, as exigências de performance e excelência eram tão altas, que a raposa não chegou a tocar nas uvas. E encontrou uma desculpa para si mesma diante de seu fracasso: as uvas estavam verdes. Desolada, cansada, faminta e frustrada com o insucesso de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e finalmente partiu vencida e convencida.

- Na verdade, olhando agora com mais atenção, percebo que as Uvas estão todas estragadas e não maduras como imaginei a princípio...

A história da raposa e as uvas verdes mostra como, muitas vezes, não reconhecendo ou aceitando as próprias limitações, se perde oportunidade de corrigir falhas, limitações, inabilidades. A fábula oferece ainda chance de refletir sobre toda limitação, aponta pontos fracos e incapacidade de busca de novas e criativas soluções, cuidando mais de encontrar desculpa vulgar. Avança a ilusão, menosprezando a meta, deixando a mentira dominar o ânimo interior.

Os barretenses são convidados cotidianamente a entender: não dar desculpas; procurar ajuda verdadeira, leal e sincera; superar as fragilidades internas.