20 de Fevereiro de 2019 | 12:57:28

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03/02/2019 | Opinião / Editorial

Legislador em tempo de crise

Todo vereador está convidado a ser solução na crise, deixando de ser parte do problema. Acontece que nas dificuldades, o parlamentar quer aproveitar a oportunidade para aparecer. Não importa a cidade, nem o cidadão. Vale mais seu plano de carreira política. Acha que não tem compromisso com a solução de agora porque projeta ser a opção de amanhã. Confunde democracia com demagogia.

O eleitor está angustiado com o legislativo, porque acha que custa caro e apresenta baixo retorno. É um investimento perdido para muitos.

A crise de Barretos é um raro momento para modificar o conceito negativo que o vereador acumulou por uso do cachimbo torto ao longo de muitos anos. Mais do que politicagem, fazer política.

Mais do que criticar, apresentar soluções. O momento pede fiscalização de cada parte do orçamento, de cada projeto e emenda. A tarefa está em promover a governabilidade e não criar CPI para atravancar a gestão e nada esclarecer. Não é preciso inventar problemas para vender facilidades. O momento não sugere barganhas pontuais, mas atitudes factuais. O comunitário, não o pessoal. Saída no buraco, não alargar o fosso.

As restrições populares estão baseadas especialmente porque os discursos apontam um caminho, mas os passos mostram outra direção. As palavras projetam soluções e as indicações revelam problemas. A incoerência destrói a credibilidade. A imagem projetada gera fantasma falidos e não anjos de resgate.

Injusto apontar o legislativo pela crise política local e nacional. Mas no sistema político não há solução sem debate público e o envolvimento do legislativo. Eis a base fundamental da democracia. Quando há desvirtuamento, sofrem a democracia, a liberdade e toda a cidade.