20 de Fevereiro de 2019 | 13:43:56

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05/02/2019 | Opinião / Editorial

Coerência entre o dizer e o fazer

A crise política administrativa impede que a mesa legislativa faça média com o executivo, os servidores públicos e o eleitor, tudo ao mesmo tempo. Difícil fazer democracia. Acontece que democracia não se faz com palavras delicadas, mas com reflexão e prática. Não basta dizer ser democrata, não ser machista ou nem racista, ser legalista e aberto, se cada ato não afina com o discurso. Necessário que o dito não contrarie o feito. O que se faz é o que diz da lealdade ou não ao falado.

Na luta entre o dizer e o fazer deve ser colocado todo empenho. Por isso a coerência termina por forçar  nova opção. Ou se muda o discurso ou se muda a prática. Há na literatura uma outra opção: assumir o cinismo, que consiste em encarar levianamente a incoerência.

O legislativo municipal tem oportunidade de usar o senado federal como desculpa para baixarias, incidências e desvios. Se o principal poder da república tem fraudes, furtos de papéis e futilidades, como esperar um parlamento municipal equilibrado, estável, sensível?

Na verdade, as coisas são diferentes. A forma de fazer política no país tem sido assim, mas não é necessariamente esta a forma que sempre se tem de fazer política.  Não é a politica que nos faz assim. Nós é que fazemos esta política.

Todo cidadão, trabalhador e empresário, jovens e idosos, todos são chamados a responsabilidade na questão fundamental da democracia e de como participar na busca de seu aperfeiçoamento.

A necessidade hoje é entender que a política não é arena exclusiva de alguns, dos eleitos e dirigentes partidários. Todo cidadão que defende a democracia tem que lutar, cotidianamente, por uma cidade livre, participativa e tolerante. Cobrar que cada político seja coerente entre o que diz e o que fala, deixando de abusar do cinismo, é a identidade mais nobre para os tempos de agora.