16 de Junho de 2019 | 17:58:01

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17/03/2019 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Médica explica o que é Glaucoma e recomenda consulta ao oftalmologista

Semana Mundial de Combate à Cegueira pelo Glaucoma alerta para a doença

Médica explica o que é Glaucoma e recomenda consulta ao oftalmologista

SAÚDE: Dra. Daniela Monteiro de Barros, especialista em Glaucoma pelo “Wills Eye Hospital”, Filadélfia - Estados Unidos
Tininho Junior

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A oftalmologista barretense Daniela Monteiro de Barros destacou a importância de alertar para o Glaucoma, uma doença que pode levar até à cegueira. É uma doença que não tem cura, mas pode ser tratada. Segundo a médica, que é especialista na doença, a importância da Semana Mundial de Combate à Cegueira pelo Glaucoma está na prevenção. Estima-se que hoje no Brasil existem cerca de 985 mil casos de pessoas portadoras de Glaucoma.

O Diário: O que é o Glaucoma?
Dra. Daniela: Glaucoma é uma doença do nervo óptico (nervo dos olhos), com perda progressiva da visão, podendo levar à cegueira se não tratada no momento certo. Ela é uma doença multifatorial, porém a principal causa está no aumento da pressão intra-ocular (pressão dos olhos), podendo ser secundária ou adquirida. Outros fatores também favorecem o aparecimento e a progressão da doença, como o uso de corticosteróides, a apnéia obstrutiva do sono (roncar pode ser um fator para a progressão da doença), o uso de alguns medicamentos para enxaqueca, entre outros fatores, como hereditariedade e raça.

O Diário: O Glaucoma é a doença que mais causa cegueira irreversível?
Dra. Daniela: Sim, Glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo e no Brasil.

O Diário: Quais as consequências para a visão de um paciente que não realiza o tratamento do Glaucoma?
Dra. Daniela: Haverá uma perda progressiva no campo visual primeiramente periférico, evoluindo para uma perda também na visão central, podendo levar à cegueira irreversível.

O Diário: Quais são os tipos de Glaucoma?
Dra. Daniela: Existem vários tipos de glaucoma: congênito, infantil, juvenil, o glaucoma primário de ângulo aberto, glaucoma de pressão normal, glaucoma primário de ângulo fechado, glaucoma traumático e os glaucomas secundários.

O Diário: Existe uma idade em que a doença é mais recorrente?
Dra. Daniela: O Glaucoma primário de ângulo aberto acomete geralmente pessoas acima de 50 anos.

O Diário: As pessoas de qualquer idade podem sofrer com a doença?
Dra. Daniela: O Glaucoma “não tem idade”, como exemplo disso, existe o Glaucoma congênito.

O Diário: O glaucoma apresenta sintomas no início? Para o diagnóstico precoce o que é recomendado?
Dra. Daniela: Infelizmente, o Glaucoma não apresenta sintomas em sua fase inicial.  Uma avaliação periódica anual especializada com médico oftalmologista poderá detectar o paciente suspeito, pois nesta "simples" avaliação, para óculos, por exemplo, o oftalmologista fará a avaliação de seu nervo óptico e pressão intraocular podendo detectar o paciente suspeito para glaucoma. Neste momento, o médico irá encaminhar o paciente para exames específicos para glaucoma denominados - propedêutica de Glaucoma.

O Diário: É importante consultar sempre um medico oftalmologista?
Dra. Daniela: Sim, o primeiro contato poderá ser já no primeiro mês de vida quando será feito o teste do olhinho e avaliações anuais se farão necessárias no decorrer da vida, principalmente após os 40 anos de idade. Depois disso, quando o paciente não possui nenhum comprometimento ocular, as avaliações anuais estão indicadas, porém, se o paciente possui o diagnóstico de Glaucoma, por exemplo, essa frequência poderá ser diferente.

O Diário: Como geralmente é feito o diagnóstico de Glaucoma?
Dra. Daniela: Através de uma análise específica denominada propedêutica de Glaucoma, que significa exames diagnósticos para Glaucoma, e a conclusão desses exames será feita por um especialista na doença. Uma pessoa que tenha parentes com histórico da doença precisa ficar mais atenta e deverá procurar um médico oftalmologista pelo menos uma vez.

O Diário: Existe tratamento para o Glaucoma?
Dra. Daniela: Existem três tipos de tratamento para o Glaucoma: o tratamento com medicamentos (colírios ou medicação oral), o tratamento a laser e as cirurgias, sendo essas minimamente invasivas as denominadas "MIGS", a cirurgia convencional denominada trabeculectomia, e os implantes.

O Diário: Qual sua mensagem final nesta Semana de Combate à Cegueira pelo Glaucoma?
Dra. Daniela: O Glaucoma é uma neuropatia óptica com repercussão no campo visual e quando avançado na visão central, cujo principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular (pio) e cujo desfecho se não tratado é a cegueira irreversível. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Estima-se que até 2020, 80 milhões de pessoas terão Glaucoma e até 2040, esse número será ainda maior podendo chegar a 111, 5 milhões.