16 de Junho de 2019 | 18:43:07

16 de Junho de 2019 | 18:43:07

25/03/2019 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Psiquiatra orienta sobre questões relacionadas à infância e adolescência

Dia Mundial da Infância foi comemorado em 21 de março e alerta para a conscientização

Psiquiatra orienta sobre questões relacionadas à infância e adolescência

SAÚDE: Bruno Ravenna Pinheiro Kondo (CRM 161.555) atua como psiquiatra em Barretos
Tininho Junior

Ampliar foto

O psiquiatra Bruno Ra­venna Pinheiro Kondo (CRM 161.555) alertou para questões relaciona­das à infância e adolescên­cia. Segundo o médico, é importante ficar atento a assuntos como a fase es­colar, época de vestibular, vício em eletrônicos, entre outros. O Dia Mundial da Infância foi comemorado em 21 de março. Confira mais na entrevista com o dr. Bruno:

O Diário: Quais os prin­cipais desafios para os pais ao lidarem com os filhos na infância e na adoles­cência?

Dr. Bruno: O principal desafio dos pais, de uma forma geral, em qualquer etapa, é sempre a comu­nicação com os filhos. Co­meça desde muito peque­no, quando ele é bebê. O choro de fome é diferente do choro de frio, que é di­ferente do choro de sono. Os pais têm que ficar mui­to atentos às solicitações do filho, porque na me­dida em que ele vai cres­cendo, isso vai mudando. Ele vai comunicar medos, felicidades e alegrias sem­pre de um modo diferen­te, e cada filho é diferente. Estabelecer comunicação com cada filho é uma coi­sa individual e isso vai evoluindo. Quando é ado­lescente, tem as amizades, os conflitos, ele quer mais independência e ao mes­mo tempo está ligado aos pais. Quando ele começa a ir para a escola, tem uma fase de separação, uma di­ficuldade para ficar mais longe dos pais e começa a entender que tem as re­gras daquele ambiente em cada fase. O maior desafio é comunicar e conseguir entender o que o filho está demandando de ajuda e atenção naquele momen­to. E isso é sempre muito variável.

O Diário: De que forma os pais podem auxiliar os filhos na fase escolar?

Dr. Bruno: Tem o aspec­to do aprendizado, que os pais podem ajudar sempre estimulando a ida para a escola, a busca de conhe­cimento, a curiosidade e as novas informações de forma geral. Dentro disso, prestar atenção no rendi­mento da criança. Como ela está se desenvolvendo na escola e se está dentro do esperado na faixa etária dela. Além disso, os pais podem ajudar na questão da socialização. No mo­mento em que a criança sai do ambiente da famí­lia, tem outras crianças da idade dela, ela começa a entender o papel que ela tem na escola, quais são as responsabilidades dela e suas tarefas. Os pais po­dem ajudar nesse proces­so, de mediar o que está acontecendo, como foi, se interessar e ajudar na hora de articular situações. Es­timular que isso aconteça para o desenvolvimento das relações. É fundamen­tal nessa fase, e até mais velho, que os pais e a es­cola tenham bom contato. Saberem o que acontece naquele ambiente e a esco­la saber como o filho é em casa, trocarem informa­ções para ajudar o filho a se desenvolver. Não só no aspecto acadêmico, como no social.

O Diário: Como a psi­coterapia e a psiquiatria podem ajudar o adoles­cente no momento escolar e principalmente para o vestibular?

Dr. Bruno: A fase do ves­tibular é muito complexa. Envolve a adolescência e é uma fase marcada por muitos conflitos, mudan­ças muito grandes, a tran­sição de ser criança e ser adulto, mas estar no meio do caminho. Ele passa por muitos questionamentos, como o próprio adoles­cente se vê, a questão do relacionamento com os amigos e começa também uma fase de maior inte­resse amoroso. Tudo isso junto com uma decisão de como fazer a escolha de uma carreira, que ca­minho seguir, sendo que ele é muito novo. Isso vai gerando muita ansiedade. Às vezes, por cobranças internas do próprio ado­lescente, por cobrança dos pais e até cobranças que o adolescente acha que exis­tem por parte dos pais, que na verdade não são bem desse jeito. A psiquia­tria e psicoterapia podem ajudar o adolescente a en­trar em contato com essas questões e junto com ele, lidar com isso e chegar a algumas respostas que ele mesmo vai fornecer, den­tro do que ele acredita e acha.

O Diário: Sobre o vício em aparelhos eletrônicos, como a questão deve ser abordada?

Dr. Bruno: Não há como negar o papel que a tecno­logia tem no nosso dia a dia. E as crianças e adoles­centes também veem isso. Existem algumas coisas que sempre fazem parte de cada família. Têm fa­mílias que usam mais apa­relhos eletrônicos, outras menos. Temos que ver o ambiente que a criança está inserida. Mas de uma forma geral, existem reco­mendações por tempo de tela, como a gente chama, de exposição a computa­dores, televisão e outros tipos de eletrônicos, para cada idade. Até dois anos de idade, não deveria ter exposição a esses apare­lhos, de dois a seis anos uma hora por dia e após os seis anos, incluindo a ado­lescência, deveria ser até duas horas por dia. Isso porque é uma fase de de­senvolvimento do cérebro. Há várias regiões do cére­bro que dependem de es­tímulos externos para se conectarem. O estímulo eletrônico e esse tipo de luz reforçam muito algu­mas áreas de algumas re­giões do cérebro. Se pas­sar muito tempo só com esse estímulo, ele vai ficar privado de outros. Outras áreas vão deixar de se in­tegrarem nesse período de evolução cerebral. E isso está relacionado a prejuí­zos de memória, atenção e concentração. Uso de telas acima desse período reco­mendado está relacionado a maiores níveis de trans­torno de ansiedade, osci­lações de humor, proble­mas auditivos, problemas posturais, visuais, irritabi­lidade e agressividade. São coisas que a gente acaba incorporando em nosso dia a dia e existem estudos a respeito para falar dos prejuízos que isso pode causar, se for de uma ma­neira excessiva.