25 de Agosto de 2019 | 10:44:30

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21/04/2019 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Fonoaudióloga alerta para problemas na comunicação das crianças

Profissional diz que é importante os pais ficarem atentos a possíveis questões junto aos filhos

Fonoaudióloga alerta para problemas na comunicação das crianças

SAÚDE: A fonoaudióloga Anna Paula Jode Galati atua em uma clínica em Barretos
Tininho Junior

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A fonoaudióloga Anna Paula Jode Galati afirmou que é importante os pais ficarem atentos à comunicação dos filhos. Com o Dia Mundial da Voz celebrado em 16 de abril, a profissional ressaltou que a fonoaudiologia trabalha com muitas questões além do “falar errado” e que o desenvolvimento das crianças pode ser atrapalhado caso problemas na comunicação não sejam identificados e tratados. Confira esta e outras questões na entrevista:

O Diário: Qual é o trabalho do fonoaudiólogo?
Anna Paula: A fonoaudiologia trabalha com a comunicação humana, a gente brinca que é “de mamando a caducando”. Desde o bebezinho que nasce e tem dificuldade para amamentar, a fono ajuda nesse processo de sucção e de amamentação, todo o desenvolvimento de fala e de comunicação, alterações de voz, alterações de aprendizagem e adulto e idoso, que têm dificuldades de aprimorar a comunicação, ou que perdem a fala por algum motivo neurológico, como mal de Parkinson ou AVC (Acidente Vascular Cerebral), por exemplo.

O Diário: Qual a diferença entre voz e fala?
Anna Paula: Voz é o som. Cada indivíduo tem a sua voz, é como se fosse uma marca, o RG. Cada voz é individual. Por mais que a gente tente imitar a voz do outro, a gente não consegue uma imitação perfeita, porque é considerada uma “marca registrada” da pessoa. Esse som que a gente produz é a voz. A fala é a maneira como a gente articula esse som, como a gente se comunica na parte oral. Quando eu movimento os lábios na língua, estou desenvolvendo uma fala e um diálogo na comunicação.

O Diário: Como os pais podem estimular os filhos a se comunicarem?
Anna Paula: Desde que nascem, a gente estimula a comunicação conforme a gente vai conversando com os bebês. Eles respondem a isso com o olhar, com o choro, o primeiro modo de comunicação. Cada choro tem um significado, as mães geralmente sabem isso. E conforme os pais vão nomeando e repetindo nomes. Por exemplo: “eu quero água”. E você responde: “dá água para a mamãe”. Você repete várias vezes a palavra corretamente, a criança vai aprendendo o nome e o significado, e vai começar a repetir. Primeiro, ela começa os balbucios, que são sons vocálicos, e depois ela vai aumentando esse vocabulário.

O Diário: Como os pais devem se atentar a problemas dos filhos na comunicação?
Anna Paula: É muito importante que os pais observem o desenvolvimento de fala e comunicação das crianças. Geralmente, os pais acham bonitinho as crianças falarem errado e infantilizado, e acabam reproduzindo esse meio de fala errada. E as crianças com três anos, elas já devem ter uma fala correta que não precisa de tradução. Hoje, a gente encontra muitas crianças com dois anos, por exemplo, que não falam nada. Ou crianças com três anos que falam e nenhum adulto entende o que ela fala. É sempre legal procurar uma avaliação para receber orientações. Uma criança com dois anos que não está falando, ou com três que repete e a mãe precisa traduzir, é importante procurar um profissional para avaliação.

O Diário: Vocabulário limitado também deve ser avaliado por um fonoaudiólogo?
Anna Paula: Quando a gente tem crianças maiores que têm um vocabulário limitado, a gente pode pensar também na questão de processamento auditivo ou no processamento na atenção. E isso pode também gerar dificuldades de aprendizagem. É sempre importante que os pais observem como essa criança está se desenvolvendo na escola, compreendendo as ordens, se ela entende o que é pedido. Por exemplo, se a mãe fala: “João, busque o sapato em cima da cama”. Se ele entende essa ordem ou se perde no meio disso.

O Diário: Em quais outras questões o fonoaudiólogo pode atuar com as crianças?
Anna Paula: A gente trabalha com tudo relacionado a comunicação e a fonoaudiologia hoje tem várias especialidades. Tem a parte da fono que trabalha com as crianças que usam aparelho ortodôntico e precisam corrigir a musculatura na hora da deglutição, a posição da língua. Têm crianças com dificuldades escolares, distúrbios de leitura, como a dislexia, por exemplo. O fonoaudiólogo é indicado para fazer o acompanhamento dessa criança junto com a equipe. Crianças que têm alterações no sentido de audição, precisam fazer o exame para saber como está ouvindo. Crianças que têm gagueira também podem ser tratadas pela fono. E os adultos que têm a voz como instrumento de trabalho, repórteres, telemarketing, que precisam fazer o acompanhamento com a fono na área vocal.

O Diário: Qual sua mensagem na semana do Dia Mundial da Voz?
Anna Paula: A fonoaudiologia é muito mais que tratar sobre o “falar errado”. O fonoaudiólogo também trabalha com crianças que falam errado. Seria muito importante que esse profissional atuasse nas escolas, de maneira efetiva nos distúrbios de aprendizagem. E as pessoas que tivessem dúvida procurassem uma avaliação para poder receber as orientações necessárias.