17 de Agosto de 2019 | 08:20:31

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19/05/2019 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Médico destaca avanços da cirurgia minimamente invasiva no aparelho digestivo

Dr. Talvane volta a Barretos para dirigir curso no Ircad que aborda tecnologia e medicina

Médico destaca avanços da cirurgia minimamente invasiva no aparelho digestivo

SAÚDE: O dr. Antônio Talvane Torres de Oliveira esteve no Ircad América Latina na semana passada
Divulgação / Ircad

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O médico especialista em cirurgia Antônio Talvane Torres de Oliveira destacou o avanço da cirurgia minimamente invasiva no aparelho digestivo. O especialista dirigiu um curso na última semana no Ircad América Latina, em Barretos, com aulas teóricas e práticas reunindo 38 médicos especialistas do Brasil, Itália, Peru e Holanda. Foram mais de dez cirurgias de alta complexidade no aparelho digestivo, realizadas ao vivo, via laparoscopia e acesso robótico. O dr. Talvane atua hoje no Rio de Janeiro, mas volta regularmente a Barretos onde atuou por vários anos no Hospital de Amor.

O Diário: Quais são os avanços da cirurgia minimamente invasiva no aparelho digestivo?
Dr. Talvane: A cirurgia minimamente invasiva no aparelho digestivo começou nos anos 90, por volta de 1992 quando foi feita a primeira gastrectomia subtotal minimamente invasiva por um cirurgião japonês. Depois, isso foi se propagando para outros lugares do mundo. Atualmente, o avanço maior que a gente tem é na área de cirurgia robótica. A cirurgia robótica e a cirurgia laparoscópica se equivalem em termos de benefícios para o paciente. A sobrevida para o paciente é a mesma, muda apenas um pouco o método. A cirurgia robótica dá menos dor, mesmo um cirurgião mais velho, que já tenha um pouco de tremor, pode conseguir operar com o robô, porque o robô tem um filtro de tremor. E ele também amplia a visão do cirurgião, porque você opera num campo 3D, com uma visão ampla daquilo que você está operando e faz com que seus movimentos sejam mais precisos. Estão se desenvolvendo vários robôs no mundo.

O Diário: Quais os benefícios para o paciente com o avanço da cirurgia minimamente invasiva no aparelho digestivo?
Dr. Talvane: Os benefícios são todos significativos. Você tem um menor sangramento, um menor tempo de internação, a volta do indivíduo ao trabalho de uma maneira mais rápida, porque ele fica pouco tempo no hospital. Quando o indivíduo precisa de algum tratamento complementar, em torno de três semanas ele está apto a realizá-lo. Seja ele radioterápico ou quimioterápico, ou relacionado à área de imunologia, que está se desenvolvendo bastante. Com a cirurgia aberta, a gente tinha que esperar em torno de 60 dias, o indivíduo passa mais tempo internado, é mais despesa para a família e a volta às atividades normais se dá mais tardiamente. Essas são as vantagens da cirurgia minimamente invasiva. Colocar o indivíduo, seja no trabalho ou fazendo o tratamento que ele precisa num tempo mais curto. Sem contar que você faz uma cirurgia minimamente invasiva, como a esofagectomia, que você atua em três campos, atua no pescoço, no tórax e no abdômen. Você sairia com três incisões. Ao passo que com a cirurgia minimamente invasiva, você sai com pequenas incisões de dois milímetros, fazendo exatamente aquilo que tinha que fazer. O indivíduo, com 12 horas depois, já pode estar sentado na cama com muito menos dor do que ele teria na cirurgia aberta. E com o tempo de internação extremamente curto, hoje em torno de 6 a 7 dias, enquanto na cirurgia aberta, esse indivíduo não iria para casa em menos de 15 dias.

O Diário: Qual a sua relação com Barretos e com o Hospital de Amor?
Dr. Talvane: Eu vim para cá em 1996, cheguei aqui no dia 4 de março de 1996 e saí no dia 10 de outubro de 2015. Fiquei 19 anos, 7 meses e 7 dias no Hospital. A relação é muito forte, porque eu me desenvolvi aqui, cresci aqui, foi o meu primeiro e único emprego. Eu tinha uma relação muito forte com os pacientes. Sair daqui foi uma coisa muito difícil para mim. Demorei algum tempo para me acostumar no Rio de Janeiro. Tenho um amigo que falava que depois de três anos tudo fica bem. E depois de três anos, realmente, tudo fica bem no sentido de que você se adapta ao lugar que você está vivendo, mas você nunca se esquece de onde você veio.