23 de Setembro de 2019 | 15:05:23

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15/06/2019 | Opinião / Artigos

Carta ao Clóvis Rossi

Por Mussa Calil Neto

Carta ao Clóvis Rossi

AMIZADE: Clóvis Rossi, Mussa Calil Neto e Elias Couto
Arquivo pessoal

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“Meu caro Clóvis Rossi, parece que está todo mundo lamentando sua morte. Eu, se fosse você, poria um pé atrás, não em relação aos mortais comuns, mas em relação aos jornalistas, essa carreira profissional, raça essa que você pertenceu com orgulho. Claro que muita gente sentiu uma tremenda dor no peito durante toda a sua agonia. Em primeiro lugar sua família e no vuco-vuco das redações, inclusive porque o “Rossismo” começa com os dedos e teclados. Já é um elogio, coisa que não costumo fazer, porque nem sempre os comandados admiram com sinceridade o chefe. Aí é que está, tem pouca gente disposta a fazer jornal com “bom caratismo” (não é vernacular, não é eloquente). Jornalismo, para você era uma coisa até lúdica. Nada mais divertido do que sentar em sua mesa, pegar seu computador e botar a boca no mundo, não é mesmo?

Lembro que a convite do jornalista Matinas Suzuki Jr. e de “Os Independentes”, você veio conhecer Barretos e nossa Festa do Peão, e na Queima do Alho saboreando uma comida do estradão, lembro de você encostado com o umbigo no balcão do boteco, molhava a palavra com uma cachaça da “boa” e sem nove horas, jogava conversa fora junto com seus leitores aqui na Terra do Chão Preto. Nos encontramos poucas vezes e dava para notar que sua postura, Clovis Rossi, sempre era a maneira de fazer a coisa certa. Se fez ou não, se fez muito ou se fez pouco, é parte da condição humana.

A intenção sempre era a melhor possível, o que até os jornalistas de outros canais reconheciam. Clóvis Rossi, você sempre será uma referência ética, reconhecida por “amigos e inimigos”. Hoje você sai de cena no momento em que a moralidade pública ocupa o centro das atenções de todas as mídias, onde todos são cobrados nos compromissos com a honestidade, com a justiça e com a austeridade. E seu exemplo, mais que reverenciado, possa frutificar entre os jornalistas com a verdadeira luz na vocação de bem informar. De quantos outros jornalistas dá para dizer o mesmo hoje em dia? Não, não precisa responder. Entendo o seu silêncio. Pena que seja para sempre”.

 

Mussa Calil Neto - Membro da ABC – Academia Barretense de Cultura

Presidente de Os Independentes 1984/1985

Obs: Que a família de Clóvis Rossi receba a solidariedade de toda a Barretos nesta hora triste da separação.