16 de Julho de 2019 | 05:57:27

16 de Julho de 2019 | 05:57:27

07/07/2019 | Especiais / Saúde e Bem Estar

Pneumologista orienta sobre problemas respiratórios no inverno

Médico destaca importância da vacina contra a gripe e da higienização para a prevenção

Pneumologista orienta sobre problemas respiratórios no inverno

SAÚDE: O médico Carlos Maciel da Silva atua como pneumologista em Barretos
Rodrigo Pessoa

Ampliar foto

O pneumologista Carlos Maciel da Silva explicou quais são os problemas respiratórios mais comuns no inverno e as principais formas de evitá-los. O médico alertou para a gripe, que pode ser prevenida com vacina, além da higienização, importante também para impedir outras doenças. Com o inverno e as temperaturas mais baixas, o cuidado deve ser ainda maior. Confira mais na entrevista:

O Diário: Quais são os problemas respiratórios mais comuns no inverno?
Dr. Maciel: Nesta época em que o clima muda um pouco, temperatura mais baixa e o ar mais seco, a gente fica em ambientes mais fechados e aumentam o risco das doenças respiratórias, que são até chamadas de doenças respiratórias do inverno. Basicamente, são resfriado, gripe, pneumonia, as rinites alérgicas, os quadros de asma e eventualmente, sinusite e otite. São as doenças mais comuns que encontramos nesta época.

O Diário: De uma forma geral, como é feita a prevenção em relação a estes problemas e suas complicações?
Dr. Maciel: A gente tem que fazer uma distinção no seguinte. O resfriado é uma ocorrência bastante frequente no inverno e até no ano inteiro, de uma forma geral. O resfriado tem aquele sintoma leve de tosse, um pouco de coriza, raramente tem uma febre baixa e a pessoa às vezes se sente com mal-estar. Mas é aquele resfriado que todo mundo tem, questão de cinco dias a uma semana já desaparecem os sintomas e a pessoa melhora. E a gripe tem um quadro um pouco mais agressivo. Geralmente, o indivíduo tem febre, tem uma tosse bastante importante, frequentemente tem falta de ar.

A debilidade do estado geral é muito maior, como nas pneumonias. Então, é um quadro um pouco mais grave. Como evitamos essas doenças no inverno? Aqueles indivíduos que já têm doenças respiratórias crônicas, como o DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), asma, enfisema, bronquite, normalmente ele já tem um cuidado orientado pelo médico que o acompanha para evitar alguns agravamentos nesta época. E as pessoas que não têm antecedentes de doença respiratória, devem sempre procurar higienizar as mãos, evitar lugares muito fechados cheios de gente, higienização nasal quando o clima estiver mais seco com soro nasal e a lavagem do nariz, mas é basicamente higienização das mãos.

O Diário: Quais são os riscos que a gripe pode proporcionar? E qual a importância da vacina?
Dr. Maciel: A gripe é uma doença viral. E são diferentes os micro-organismos. Existem micro-organismos que são vírus, que são bactérias, existem fungos e existem outros. A gripe é uma doença viral, causada por um vírus. O primeiro ponto é que não adianta tomar antibiótico com uma gripe, não resolve. A doença é viral e o antibiótico mata só bactéria, não atinge vírus. Quando o indivíduo tem uma gripe e o comprometimento respiratório é importante, ou seja, a falta de ar e o desconforto respiratório são muito severos, esse doente tem que ser atendido por um médico, normalmente tem que ser radiografado, e dependendo do caso, tem que ser até internado, para que sejam tomadas medidas adequadas e assim tratar essa evolução.

As doenças virais têm um tratamento um pouco mais complicado, na maioria das vezes, elas vão desaparecer mesmo sem tratamento, mas muitas vezes, temos que tratar as complicações até que o indivíduo melhore. Existem remédios antivirais para combater os vírus, mas nem sempre temos a possibilidade de usá-los a tempo. Então, vão ser tratadas as complicações da doença viral. O mais importante de uma gripe grave é a prevenção e ela se faz com vacina. Por isso, existe a campanha de vacinação. A vacina disponibilizada na rede pública é chamada de trivalente, contra três tipos de vírus. Dois mais frequentes e um menos preponderante. E ela vai evitar as infecções virais na maioria das vezes. O que confunde-se muito, a pessoa toma a vacina e fica com coriza, tosse, mal-estar e acha que é por causa da vacina, mas não é. Provavelmente ela pegou gripe ou resfriado. Nesta época, é comum se resfriar. Coincidentemente, acaba-se pegando ao mesmo tempo. A vacina não tem nenhum perigo do ponto de vista médico para ter algum problema.

O Diário: Gostaria de deixar mais alguma orientação?
Dr. Maciel: É muito importante que se tome a vacina. Infelizmente hoje, no mundo inteiro, incluindo países como Estados Unidos e Brasil, existem algumas pessoas envolvidas em redes sociais e internet, que fazem uma campanha antivacinação, inclusive para crianças. Isso deveria, até algumas pessoas sugerem, que fosse tipificado como crime realizado pelos pais. Existem doenças extremamente graves com sequelas permanentes, como paralisia infantil, que vão ser evitadas. A vacina da gripe num paciente acima de 70 anos ou numa criança abaixo de um ano, a chance de morte se a pessoa pegar uma gripe que a vacina protege, é muito alta. Isso é muito grave. A vacina é importante. Existem mínimas complicações com a vacina, talvez uma em 10 milhões.

É muito mais fácil contrair uma gripe e a pessoa acabar morrendo desta gripe do que ter uma complicação grave desta vacina. O mais importante é a vacinação e a higienização. Outra coisa que digo é que nesta época não precisa se desesperar. Se a pessoa é saudável, tem uma vida normal e pegou um resfriado, se os sintomas são leves, uma semana ou cinco dias são suficientes para a melhora. Quando o comprometimento respiratório é muito severo, aí é claro que precisa procurar um médico o quanto antes.