13 de Outubro de 2019 | 22:11:57

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19/07/2019 | Especiais / Guia Cultural

Exposição em São Paulo traz fotos de Serra Pelada feitas por Sebastião Salgado

Exposição em São Paulo traz fotos de Serra Pelada feitas por Sebastião Salgado

CULTURA: Exposição de fotos pode ser conferida no Sesc Avenida Paulista, na capital
Sebastião Salgado

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O Sesc Avenida Pau­lista, na região central da capital, recebe a ex­posição Gold – Mina de Ouro Serra Pelada. São 56 fotografias, parte inédita, feitas por Se­bastião Salgado na dé­cada de 1980 no garim­po de Serra Pelada, no sul do Pará. A região sofreu uma intensa cor­rida pelo ouro à época, quando recebeu dezenas de milhares de homens que transformaram uma serra de morros em uma enorme cratera.

A dimensão do ga­rimpo pode ser vista nas imagens de Sal­gado, com as intermi­náveis filas de homens escalando as paredes do buraco, quase como formigas. Quando se aproxima dos garim­peiros, o fotografo registra em preto e branco - uma de suas marcas – as pessoas cobertas de lama e suor arrastando os sacos de minério.

“Por uma década, ela evocou o El Dorado há muito prometido, mas, atualmente, essa cor­rida do ouro mais sel­vagem que o Brasil já teve se tornou apenas uma lenda, que per­manece viva por meio de algumas lembranças felizes, muitos arre­pendimentos doloro­sos”, comenta Salgado sobre Serra Pelada.

Durante o período que esteve no garimpo, o fotógrafo conheceu histórias de gente que conseguiu enriquecer e outras que apenas pu­deram sonhar em mu­dar de vida. “O ouro é um amante imprevisí­vel”, diz Salgado sobre a relação que o metal mais cobiçado do mun­do estabelece com as pessoas.

“Enquanto alguns garimpeiros afortuna­dos partiram de Serra Pelada com dinheiro, compraram fazendas e empresas e nunca se sentiram traídos, ou­tros, que encontraram ouro e pensaram que havia mais fortunas esperando por eles, acabaram, por fim, perdendo tudo o que tinham obtido”, expli­cou.

TRAJETÓRIA

O trabalho de Ser­ra Pelada se insere na trajetória de Sebastião Salgado no interesse por grandes dramas humanos. Esteve tam­bém em guerras, regis­trou deslocamentos de refugiados e a luta do Movimento dos Tra­balhadores Sem Terra. Sempre fotografan­do em preto e bran­co, seguindo a esco­la dos precursores do que veio a se tornar o fotojornalismo, como Cartier-Bresson e Ro­bert Capa. O brasileiro, no entanto, se dife­rencia pelo estilo mais pictórico, valorizando um pouco menos o fla­grante instantâneo, e mais a beleza plástica das composições e da luz.

A exposição é gratui­ta de 10 às 21h30 (ter­ça a sábado) e das 10 às 18h30 (domingos e feriados). A mostra vai até o dia 3 de novem­bro. (AGÊNCIA BRA­SIL)