23 de Setembro de 2019 | 10:57:39

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22/08/2019 | Opinião / Editorial

8 segundos de paixão e fama

Todos os anos – quando tem início o rodeio internacional – uma questão volta a tona: há futuro para o rodeio? Não é apenas a questão das associações protetoras de animais, as diversas iniciativas parlamentares de restrições as competições rurais, mas dois pontos fundamentais: 1º) o custo e 2º) o público.

As despesas com o rodeio avançam, envolvem infraestrutura, premiação, segurança, tropas e competidores. Como suportar os custos pressionando mais que touro bravo? E toda demanda de controle sanitário, de vacinação e bons tratos. Bretes e anjos da arena pedem atenção.

O outro lado da moeda envolve o público. O torcedor acaba refém dos shows musicais, sem horários adequados, sem informações claras, sem heróis e ídolos, sem a emoção da centralidade. Não se sabe quem está montando quem...

- O público de sexta-feira esperado para o show dos Amigos é muito superior a plateia estimada para a segunda rodada do rodeio internacional.

A festa barretense nasceu em 56, tem o charme do pioneirismo e a tradição dos peões do sertão. Hoje impera o estilo de competidor, o desenvolvimento atlético e a técnica construída na cidade e não mais no campo, no estradão, no convívio nas pastagens. Vale o mundo urbano.

O rodeio agoniza mas não morre, mesmo não sendo samba. A paixão pela disputa está no DNA humano. Talvez precise de novos talentos, novos horários, renovada estrutura e elegância – metáfora criada por Orestes de Ávila para indicar rapidez, eficiência e qualidade.

O rodeio internacional de Barretos começa hoje provocando reflexões mais intensas, profundas e reais do que apenas 8 segundos que a viagem oferecida por um touro.