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9 de julho

karla-armani-medeiros - 9 de julho de 2024

9 de julho

PROFª ESP. KARLA ARMANI MEDEIROS historiadora, professora de História e titular da cadeira 7 da ABC www.karlaarmani.blogspot.com / @profkarlaarmani

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Não tem como um historiador ser indiferente à Revolução Constitucionalista de 1932, trata-se de um dos episódios mais emocionantes da história da república brasileira. Por isso, a data 9 de julho todo ano é rememorada na tentativa de fazer com que a sociedade, especialmente a paulista, não se esqueça do quanto essa guerra civil repercutiu na trajetória republicana do país. E ainda mais, na vida das pessoas.

Por um lado, a Revolução de 1932 é analisada pela historiografia como o momento em que a oligarquia paulista requeria de volta sua hegemonia política, abafada pela Revolução de 1930; golpe militar que instituiu ditatorialmente Getúlio Vargas na presidência do Brasil. Por outro, porém, é indiscutível o teor republicano do movimento civil e militar paulista, uma vez, que a luta não era apenas para retirar o presidente não eleito do poder, mas principalmente trazer de volta a Constituição suspendida por ele. A ode à Constituição era presente nos discursos, cartazes, bordões, uniformes e reportagens.

No entanto, é evidente o quanto a Revolução Constitucionalista é muito mais que esses dois lados. Ela foi um movimento de variadas camadas, as quais envolveram não apenas os personagens políticos e seus cargos, mas, em essencial, as pessoas. E as cidades. Nas histórias de famílias, é comum encontrar lembranças transmitidas de gerações a respeito de um avô, tio, pai ou irmão que foram soldados constitucionalistas. Afinal, esses soldados eram, em grande parte, voluntários civis que mal sabiam manejar uma arma. As camadas ainda se multiplicam quando pensamos que não apenas os homens jovens participaram da guerra, mas também todo o restante da sociedade, como as mulheres que se alistavam como enfermeiras, costureiras, cozinheiras; assim como todos aqueles que tiveram suas vidas paralisadas nos três meses do conflito.

Por esses e outros motivos, o 9 de julho é tão interessante, pois traz à tona memórias e histórias de pessoas reais, famílias e comunidades que viveram numa época em que foi preciso lutar corajosamente pela harmonia dos poderes, a autonomia dos estados e pela premissa da democracia: a Constituição. O passado vive, a história ensina.

PROFª ESP. KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora, professora de História e titular da cadeira 7 da ABC – www.karlaarmani.blogspot.com / @profkarlaarmani