25 de agosto e os 172 anos de Barretos
O Diário - 25 de agosto de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e membro da cadeira 7 da ABC | @profkarlaarmani
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Hoje é 25 de agosto, aniversário de Barretos.
25 de agosto de 1854 é a data conhecida como a da fundação de Barretos. Tudo por conta de um documento, um papel que, se tivesse sobrevivido ao tempo, certamente seria uma folha fina, amarelada, escrita a pena e assinada por nomes trêmulos; mas muito importantes. Foi nesse documento que os filhos de Francisco José Barreto e Ana Rosa de Jesus, junto a Simão Antônio Marques e familiares, assinaram a doação de suas terras para a formação do patrimônio e edificação de uma capela sob invocação do Divino Espírito Santo. Essa é considerada a nossa certidão de nascimento, portanto.
Toda cidade precisa de uma data de fundação e o dia 25 de agosto foi buscado, quase escavado. Adormecido, foi encontrado anos depois. Em 16 de dezembro de 1899, no Cartório de Registro de Imóveis, foi registrado o título particular de doação das terras das famílias Barreto e Marques, no qual consta o 25 de agosto. Um ano depois, quando nasceu o primeiro jornal de Barretos, O Sertanejo, e a coluna “Tradições de Barretos” começou a registrar os relatos da nossa história, nada foi dito sobre essa data. Seguiram-se quase 40 anos de silêncio, até que, em 1939, o ex-prefeito Jerônimo Serafim Barcelos, jornalista de O Correio de Barretos, destacou a data 25 de agosto como o início da vida urbana de Barretos. Depois, ele declarou ter encontrado a tal certidão original de doação das terras com essa data. A partir disso, a imprensa barretense deu vida à data promovendo o “Dia da Cidade”, em 1943, com o primeiro desfile comemorativo. Em 1948, o 25 de Agosto tornava-se oficialmente “Dia da Cidade”, por lei municipal.
Sobre esses registros - os sobreviventes e o perdido, quase “lendário” - há tanto a se estudar. Interessante é que eles são nada mais que papéis escritos à mão ou recortes de jornais antigos, mas verdadeiras pontes que nos ligam à nossa própria história. Essa trajetória, que hoje completa 172 anos, mostra-nos que o velho rincão do vale do Rio Grande cresceu tanto que extrapolou os limites daquelas linhas, dos primeiros alqueires doados e de quaisquer outros que ainda virão. Barretos sempre será grande na História.