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27º Domingo do Tempo Comum (Mt 21, 33-43)

Diocese de Barretos - 4 de outubro de 2026

27º Domingo do Tempo Comum (Mt 21, 33-43)

27º Domingo do Tempo Comum (Mt 21, 33-43)

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Nesta parábola (Cf. Mt 21, 33-43) Jesus continua a dirigir-se aos sumos sacerdotes e anciãos do povo. Ele serve-se de umas imagens muito queridas pelo judaísmo quando se refere a si mesmo: a imagem da vinha do Senhor (Cf. Is 5, 1-7, 1ª leitura). 

Jesus serve-se dessa parábola para descrever a história do seu povo. A vinha do Senhor foi arrendada a vinhateiros que deveriam cuidar dela e, periodicamente dar ao dono da vinha os seus frutos.

Assim como o profeta Isaías, Jesus fala das condições ótimas da vinha em produzir frutos abundantes. Uma vinha que devia estar no momento da máxima produção. Acontece que, chegando o tempo da colheita, o dono da vinha envia os seus empregados para poder receber a sua parte dos frutos. Estes por sua vez foram acolhidos como intrusos. Alguns foram espancados, outros apedrejados e mortos. 

Diante da resistência dos arrendatários, o dono pensando que seria respeitado decide enviar o seu filho, que teve sorte pior do que os seus mensageiros. Lamentavelmente tiveram a mesma sorte do que os empregados anteriormente enviados.

Estes vinhateiros não serviam a vinha, mas serviam-se dela. Tinham traçado um plano de vida ao qual toda a gente devia ajustar-se inclusive Deus. Não foram capazes de tolerar as pretensões absurdas do Filho que ameaçava destruir a sua casa, o Templo, para Ele próprio o substituir; e, que por diversas vezes havia relativizado a Lei que determinava observar o sábado.

Evidentemente Jesus estava se referindo aos membros do Sinédrio, aos administradores da casa de Deus, especialmente os sacerdotes levíticos, membros do Conselho supremo da nação. Eles eram os últimos vinhateiros que se opuseram ao filho e decretaram a sua morte.

Estes vinhateiros se convenceram de que não precisavam dar contas a ninguém! Ao invés de agradecerem pelo que receberam e pela forma como foram tratados, ao contrário se revoltam, considerando que não deviam nada a ninguém, mas que o dono da vinha é que devia a eles pelo que produziram. Na verdade, a vinha que receberam se assemelhava a um jardim, e em razão da sua ganância transformou-se numa terra árida e insalubre.

A paciência chegou ao cúmulo. O dono da vinha, o Pai, não pode tolerar por mais tempo que a vinha dos seus amores esteja abandonada e que, em vez de uvas, produza espinhos. A vinha será tirada e entregue a outros, que não representem Israel no destino histórico, mas que sejam objeto da ação benfeitora de Deus. Ao Israel histórico sucede o “Israel de Deus” (GL 6,16).

A conclusão dessa parábola é um convite a gratidão. É preciso que tudo recebemos de Deus; pois quando perdemos a consciência do quanto somos amados e dos dons que nos são confiados corremos o risco de nos tornarmos autossuficientes, ficamos prisioneiros da nossa ambição, e nos deixamos corroer pelo desejo insaciável de querer sobressair sobre os outros. 

O convite que Jesus nos faz, portanto, é um convite à gratidão pelos imensos dons que Deus nos dá; mas, ao mesmo tempo nos recorda a necessidade de que os dons recebidos se transformem em dons, não para apenas nós mesmos, mas para os que necessitam de nossa ajuda.

Todos nós temos que ter consciência de que um dia haveremos de dar contas dos frutos que Deus espera do nosso trabalho.

Dom Milton Kenan Júnior

Bispo Diocesano de Barretos