Esqueci minha senha
3 anos de guerra

O Diário - 25 de fevereiro de 2025

3 anos de guerra

DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

Compartilhar


Ontem, dia 24 de fevereiro, a guerra da Ucrânia completou 3 anos. Encorajado pelo sucesso de suas aventuras militares anteriores, o autocrata Vladimir Putin, sob o falacioso argumento de “desnazificar” a Ucrânia, invadiu o seu vizinho, com a expectativa de tomar Kiev em apenas 3 dias.

Os meses subsequentes mostraram que Putin se enganou, e acabou arrastando o seu país para uma custosa guerra que completou o seu terceiro aniversário, e mostrou ao mundo as inúmeras fragilidades da outrora inconteste potência militar na qual a Rússia se arvorava. 

Ao longo desses anos, o resiliente povo ucraniano está pagando um preço altíssimo pela guerra, mas resistindo bravamente, com a indispensável ajuda do ocidente, à máquina de guerra russa. Entretanto, a população da Rússia, ainda que em uma intensidade muito menor, também sente os efeitos da guerra, sobretudo em sua economia, abalada pelas sanções internacionais. Além disso, a Rússia sofreu alguns ataques aéreos dentro de seu território, inclusive na capital, e teve uma pequena parte de seu território invadido pela Ucrânia, o que seria impensável anos atrás, e ainda viu mais dois países vizinhos se juntarem à OTAN, Finlândia e Suécia. 

Durante esses 3 três anos, as peças da geopolítica mundial se moveram, e semanas atrás Donald Trump substituiu Joe Biden na Casa Branca, contudo, ao contrário de seu sucessor, um apoiador de primeira hora dos esforços de guerra ucraniano, o novo presidente norte-americano nutre uma indisfarçável simpatia pelo autocrata russo.

Isso ficou especialmente claro ao longo da última semana, quando Donald Trump ventilou um plano de paz pelo qual a Ucrânia cederia à Rússia as áreas invadidas, que representa aproximadamente 20% de seu território, e se comprometeria a nunca se juntar à OTAN, tudo isso sem qualquer contrapartida por parte dos russos, que ainda teriam as sanções que pesam contra si, revogadas pelos Estados Unidos. Inclusive, essa proposta de Trump, que na prática premiaria a Rússia pela guerra – além de abrir um perigosíssimo precedente, que poderia refletir até mesmo na situação de Taiwan – foi formulada à revelia da Ucrânia e da União Europeia. 

Seria um fim trágico, para uma guerra trágica.