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Educação não é vaidade: é compromisso com a continuidade

O Diário - 16 de julho de 2025

Educação não é vaidade: é compromisso com a continuidade

Aparecido Cipriano, Militar, Diretor de Escola Pós-graduado em Educação escolar (UFscar), Gestão e Planejamento de Ead (UFF), Gestão Pública Municipal (UFSJ) e Mestre em Educação (UNESP)

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Durante anos atuando como vereador e secretário de Educação em Barretos (SP), uma inquietação me acompanhou e foi tema de minha dissertação de Mestrado: por que tantas políticas públicas educacionais são abandonadas de uma gestão para outra, sem qualquer avaliação ou justificativa? A resposta, infelizmente, muitas vezes está na “vaidade política”.

É comum que ações bem-sucedidas sejam simplesmente descontinuadas porque foram criadas por governos anteriores. Não há análise de impacto, não há consulta pública. Só a vontade de apagar o que foi feito antes. Essa lógica, além de ineficaz, é cruel: quem paga o preço é a população, especialmente os estudantes.

A Constituição Federal de 1988 garante autonomia aos municípios para criar e manter seus próprios sistemas de ensino. Mas isso não significa agir sozinho. O processo legislativo existe justamente para garantir continuidade, legalidade e participação popular. Quando ignorado, abre espaço para decisões unilaterais, frágeis e passageiras.

O caso de Barretos é emblemático. Mesmo com a municipalização do ensino desde os anos 90, o Sistema Municipal de Ensino só foi legalmente instituído por lei em 2016, após amplo debate com a comunidade. Até então, funcionava apenas com base em uma resolução, vulnerável a mudanças conforme os interesses políticos de plantão.

Educação não pode ser tratada como projeto de governo, e sim como projeto de Estado. Isso significa envolver todos os atores – legislativo, executivo, educadores e sociedade – nas decisões. Mais do que votar, é preciso participar. A cidadania plena exige voz ativa, especialmente quando o assunto é o futuro das nossas crianças e jovens.

Garantir a continuidade das políticas públicas educacionais é dever de todos. E isso só será possível quando superarmos as disputas de vaidade e colocarmos a educação onde ela deve estar: no centro das decisões, com diálogo, responsabilidade e compromisso coletivo.