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1925: 100 anos da revolta de Philogônio (Parte II)

O Diário - 22 de julho de 2025

1925: 100 anos da revolta de Philogônio (Parte II)

KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e ocupante da cadeira 7 da ABC – www.karlaarmani.blogspot.com / @profkarlaarmani 

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A década de 1920 foi politicamente turbulenta no Brasil por se tratar de um período de transição, onde a República das Oligarquias passou a ser alvo de críticas e novos modelos republicanos se apresentavam. Dentre eles, encaixa-se o Tenentismo, que, em curta definição, tratava-se de uma corrente tida como revolucionária, composta por militares dissidentes, geralmente homens mais jovens que reivindicavam reforma eleitoral, social e educacional no Brasil. O fato é que com essa possibilidade de mudança política, parte das classes civis que se manifestava insatisfeita com a política oligárquica enxergou nas reivindicações dos tenentes a oportunidade para a efetivação de uma nova República. Assim, perfis civis das classes comerciais, liberais, públicas e até agrárias aderiram ao movimento. É aí que se encaixa o nosso Philogônio Teodoro de Carvalho.

Ele, natural de Coxim (MS), era fazendeiro e comerciante, e há pelo menos 15 anos atuava em Barretos como negociante de gado e dono da casa comercial Carvalho & Companhia. Philogônio aparece em fotografias no centro de Barretos trajado com indumentárias sertanejas, em cima de bois, como verdadeiro boiadeiro. Perfil que poderíamos considerar como contraditório à adesão de um pensamento político diferente dos tradicionais coronéis, ainda mais porque ele carregava patente de “capitão” e, no posto da revolta, de “coronel”. Mas o fato é que Philogônio aderiu ao tenentismo e tentou colocar Barretos no mapa da Coluna Prestes! E não passou tão longe de conseguir, afinal, o nosso revolucionário de botas e chapéu tinha planos de trazer a marcha até aqui. 

Nesse fervilhar de 1924 e 1925, Barretos passava por momento de tensão política, uma vez que o prefeito dr. Antônio Olympio – coronel – era alvo de críticas pelo recente Partido Popular liderado pelo jovem advogado dr. Riolando de Almeida Prado (que aderiu a outra corrente oposicionista, uma dissidência do velho PRP). Por outro lado, Philogônio mantinha contato com os líderes da Coluna, como o próprio Izidoro, participou de levantes e passou a acoitar tenentistas em sua própria casa, afinal, a ideia era colocar Barretos na rota do tenentismo (por incrível que pareça). [continua].