Santa Mônica: Modelo e exemplo de oração
Diocese de Barretos - 27 de agosto de 2025

Santa Mônica: Modelo e exemplo de oração
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Por Pe. Flávio Pereira, Vigário Catedral, Barretos-SP
Santa Mônica, mãe de um grande Santo da Igreja católica, Santo Agostinho, nasceu em Tagaste, atual Song-Ahras, Argélia, por volta de 331. Por meio da assiduidade em sua confiante oração e através de suas lágrimas, alcançou a transformação espiritual de seu filho Agostinho. A exemplo desta santa mulher, e por intermédio de suas lágrimas, possamos nos encontrar verdadeiramente com o Senhor, pois, a oração de uma mãe profundamente consternada pela situação de seu filho, chega até Deus e muda a conduta deste que se perdera. No livro das "Confissões", Santa Mônica é mostrada através de uma figura de mãe cristã, bem como uma pessoa contemplativa, além de atenta às necessidades dos humildes e dos pobres. O colóquio entre Mônica e Agostinho nos revela a profundidade de seu espírito todo voltado para a pátria celeste (Missal Romano, p. 790). No sermão da montanha a segunda bem-aventurança nos diz ‘bem-aventurados os que choram, porque serão consolados’. Sabemos que ser bem-aventurado é ser feliz, contudo, estas constituem um caminho para que todos alcancem a verdadeira felicidade. Em suas catequeses sobre as bem-aventuranças, o Papa Francisco nos diz que ‘na língua grega em que o Evangelho é escrito, esta bem-aventurança é expressa com um verbo que não está no passivo — na verdade os bem-aventurados não são vítimas desse choro — mas no ativo: «os que choram»; choram, mas por dentro. É uma atitude que se tornou central na espiritualidade cristã, à qual os padres do deserto, os primeiros monges da história, chamaram “penthos”, ou seja, uma dor interior que se abre a uma relação com o Senhor e com o próximo (Audiência Geral, Sala Paulo VI, quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020)’. Por vezes, a lágrima é derramada e provocada pela morte ou sofrimento de alguém, ou também, pode ser provocada pelo próprio pecado, quando o coração se entristece por meio da dor da ofensa a Deus, ao próximo e a nós mesmos. A persistência de Mônica na oração foi tão intensa que seu filho foi resgatado do pecado e do erro em que vivia. Uma vez que a súplica da mãe fora ouvida, logo, Agostinho se converteu, tornou-se bispo e se constituiu um dos maiores pensadores do cristianismo. As lágrimas que a sua mãe Santa Mônica derramou durante as orações não foram em vão, pois elas tornaram-se símbolo da fé que espera contra toda esperança. Nas lágrimas de Santa Mônica houve o encontro sincero com o Senhor, e elas demonstram o amor a Deus a ponto de, em suas lágrimas de mãe, encontrar no Pai o conforto para seu pranto, a conversão de seu filho e, através de nossas lágrimas nos vinculamos e passamos a compartilhar a dor do outro como nossa própria dor. Que Santa Mônica nos ensine a termos o dom das lágrimas e fazermos oração de intercessão pela conversão de todos.