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Santo Agostinho: Doutor da Graça e Peregrino da Verdade

Diocese de Barretos - 28 de agosto de 2025

Santo Agostinho: Doutor da Graça e Peregrino da Verdade

Santo Agostinho: Doutor da Graça e Peregrino da Verdade

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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.

Poucos santos tiveram tanta influência na história da Igreja e da cultura ocidental quanto Santo Agostinho de Hipona. Filósofo, teólogo, bispo e escritor incansável, ele é conhecido como o “Doutor da Graça” por sua profunda reflexão sobre a ação gratuita de Deus na vida do homem. Sua trajetória é um verdadeiro testemunho da busca pela verdade e da transformação que a graça divina realiza no coração humano. Agostinho nasceu em 354, em Tagaste, no norte da África (atual Argélia). Filho de Mônica, mulher cristã de fé exemplar, e de Patrício, pagão, cresceu dividido entre a fé materna e as tentações do mundo. Inteligente e brilhante, destacou-se nos estudos de retórica e filosofia. Em sua juventude, viveu longe de Deus, buscando sentido nas paixões, no sucesso e em correntes filosóficas como o maniqueísmo. Apesar de sua inquietação, nunca deixou de procurar a verdade. A oração persistente de sua mãe, Santa Mônica, foi decisiva em sua conversão. Em Milão, onde lecionava, conheceu Santo Ambrósio, bispo da cidade, cuja pregação tocou profundamente seu coração. Aos poucos, percebeu que a verdade que tanto buscava não estava fora, mas em Deus. No ano 387, após intensa luta interior relatada nas Confissões, Agostinho se converteu definitivamente e foi batizado por Santo Ambrósio. Esse momento marcou o início de uma vida nova, dedicada inteiramente ao Evangelho. De volta à África, fundou uma pequena comunidade monástica, vivendo em oração, estudo e serviço. Em 395, foi ordenado bispo de Hipona, cargo que exerceu até sua morte. Como pastor, enfrentou heresias, orientou o clero e o povo, pregou incansavelmente e deixou uma obra monumental. Agostinho faleceu em 28 de agosto de 430, enquanto sua cidade era sitiada pelos vândalos. Morreu rezando os salmos penitenciais, com a esperança voltada para Deus. Sua vida nos recorda que ninguém está perdido para a graça. Mesmo quem se sente distante de Deus pode ser alcançado por Seu amor transformador. No final do Mês Vocacional, Santo Agostinho nos lembra que a vocação cristã é, antes de tudo, um caminho de busca e de resposta: buscar a verdade e responder ao amor de Deus., como bem expressou nesta belíssima oração: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Estáveis dentro de mim, e eu fora, e fora Vos buscava..." (Confissões, X, 27).