Sobre sábados, pamonhas e família
O Diário - 27 de agosto de 2025

Claudia Lima
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Um registro de um momento e foi a única foto que tenho da minha família de origem: meu pai, minha mãe, meu irmão e minha irmã. Aos sábados íamos pra casa da minha avó Maria em Olímpia. A vó Antônia morava há um quarteirão dali e ficávamos indo e vindo o dia todo entre as casas aproveitando o que tinha de melhor em cada uma. Nessa época, eu tinha 4 anos. Montávamos no fusca branco do meu pai e íamos rumo à Olímpia numa estrada que ainda tinha um trecho de terra. Meu pai chegava animadíssimo na casa dos pais dele, a minha vó Maria e meu vô Urbano e já começava a organizar a pamonhada. Muita gente ajudava, mas ele era o que trabalhava mais. O cabelo dele, sempre arrumado, despenteava e ele estava todo suado ao final do dia. Mas ele seguia sorrindo. As pamonhas iam sendo produzidas, comíamos fresquinhas e no pacote vinha cural e milho cozido, esse meu preferido. Minha mãe amou comer pamonha e cural até o fim. O cural, bem no finalzinho da vida dela foi uma das comidas que ela comia mais fácil e com gosto de comer.
A comida que a gente come tem memória e tem sabor de saudade.
No fim do dia, o chão estava cheio de espigas, cascas e restos de milho. Eu não lembro como limpávamos tudo. Também não lembro da hora de ir embora, mas lembro que a gente ia voltar no outro sábado. Eu achava que era pra sempre. Mas eles, um dia, foram embora. Pra onde foram? Eles não foram embora, eles se mudaram pra dentro de mim.