“Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.” (São Jerônimo)
Diocese de Barretos - 11 de setembro de 2025
“Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.” (São Jerônimo)
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
A Sagrada Escritura ocupa um lugar central na vida da Igreja, pois nela encontramos a revelação divina transmitida sob a forma escrita. Mas como compreender a origem e a autoridade da Bíblia? A resposta está no mistério da inspiração bíblica, uma verdade de fé que a Igreja sempre preservou e ensinou. Segundo a doutrina católica, a inspiração bíblica é a ação especial do Espírito Santo sobre os autores humanos da Sagrada Escritura, de modo que tudo o que escreveram fosse verdadeiramente Palavra de Deus. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Dei Verbum (1965), ensina: “As coisas divinamente reveladas, que estão contidas e se apresentam por escrito na Sagrada Escritura, foram consignadas por inspiração do Espírito Santo. Pois os livros inteiros, com todas as suas partes, são sagrados e canônicos, por terem sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo. Eles têm Deus como autor e como tais foram confiados à Igreja.” (DV 11). Deste modo, a Bíblia é obra de Deus e obra do homem: Deus é o autor principal, pois inspira e guia o processo. Os autores humanos são verdadeiros escritores, que utilizaram sua cultura, linguagem e estilo próprios. A Igreja ensina que, por ser inspirada, a Escritura é verdadeira e confiável em tudo o que Deus quis comunicar para a nossa salvação. Isso não significa que a Bíblia seja um livro científico ou histórico no sentido moderno, mas que nela não há erro quanto à verdade essencial da fé. O Concílio Vaticano II reafirma: “Como tudo o que os autores inspirados afirmam deve ser considerado afirmado pelo Espírito Santo, deve-se confessar que os livros da Escritura ensinam firmemente, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas Sagradas Letras.” (DV 11). A inspiração não elimina a necessidade de interpretação. Para compreender a Bíblia, é preciso levar em conta: o contexto histórico e cultural em que o texto foi escrito; os gêneros literários utilizados (narrativa, poesia, profecia, parábola, etc.).; a unidade da Escritura, interpretando cada parte à luz do todo; a Tradição da Igreja, que guarda a Palavra viva de Deus; e o Magistério, que é o intérprete autêntico da Palavra inspirada. Por ser inspirada, a Sagrada Escritura é: Luz para a fé: revela quem é Deus e qual é seu plano de amor; Alimento da espiritualidade: guia a oração e sustenta a vida cristã; Regra de fé e vida: norma suprema para a Igreja, junto com a Tradição. Assim, a Bíblia não é apenas um livro antigo, mas Palavra viva e eficaz (cf. Hb 4,12), que continua a inspirar e transformar os corações. A doutrina católica sobre a inspiração bíblica nos ajuda a reconhecer na Escritura o encontro misterioso entre Deus e o homem. É Deus quem fala, mas através de palavras humanas. É uma obra escrita em diálogo, onde a voz do Espírito Santo ressoa por meio da pena dos escritores sagrados. Por isso, ao abrir a Bíblia, não lemos apenas a história de um povo, mas ouvimos o próprio Deus que nos fala hoje.



