Tradição muladeira na Fazenda dos Prata
O Diário - 20 de setembro de 2025
Marcelo Murta
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Adentrei as paisagens da minha alma. Retratos de um tempo quando os pardais me contavam fofocas do povo da cidade. Na varanda da solitária casa da fazenda. Cenas de nostalgia e números da sorte na placa preta do Fordinho Bigode. Época de canções que exaltaram as aventuras dos Muladeiros. Heróis Anônimos do Sertão Brasileiro. De estradões de terra serpenteando as pastagens e o sobe desce dos morros longínquos. Do vento sendo interrompido pelos sons do complacente Berrante. Trilhas sonoras de disposição de orientar a boiada, o comissário e ajudantes de chapéus ao sol. Profusão de melodias interrompidas pelo uivo das rodas do carro de boi vindo na contramão da poeira. Pedindo passagem para a Comitiva Boiadeira. A estátua icônica que repousa na frente do Recinto Paulo de Lima Correa resolveu criar vida. O Berranteiro e seu Burrico foram para o "Encontro dos Muladeiros do Bem" do Hospital do Amor à convite do Antenor Prata organizador do evento. A energia do Burrinho Pedrês saído da novela "Sagarana" de Guimarães Rosa invadiu as invernadas da Fazenda Nossa Senhora do Guadalupe. Lembranças literárias que cavalgam no espaço tempo revelam a jornada de um grupo de vaqueiros a tocar uma extensa boiada do sitio do Major Saulo até o arraial. Em dia de névoa e chuva brava. Viagem de contação de causos entre os Cavaleiros. Diz um deles que: "a poça d'água da grande estrada da vida reflete imagens do nascimento do rodeio em Barretos". Pedro, Berranteiro da Américas envia saudações do Canal do Panamá. O cachorro Bastião e o veterinário Gustavo Poloni que acompanham o aventureiro garantem que em 2026 estarão no Encontro. Abraços Cavalares.



