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Uma preciosidade barretense – Histórias que constroem

O Diário - 1 de outubro de 2025

Uma preciosidade barretense – Histórias que constroem

RECONHECIMENTO: Rosa Carneiro é professora, empresária e escritora

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Amir Jamal, como é denominado, incansável comerciante da rua 18, loja de vasos e decoração. Comerciante que trabalha persistentemente, sem demonstrar sinais de cansaço e fadiga. Dedicado a seu negócio, é gentil, alegre e culto, buscando sempre novas oportunidades e atendendo as necessidades dos clientes. Para ser comerciante no Brasil, são necessários os seguintes requisitos: ter a livre administração de seus bens, ter a livre administração de sua pessoa.  Estes dois primeiros requisitos exprimem a capacidade jurídica da pessoa, que hoje é fixada no Código Civil de 1916.  Senhor Amir herdou a loja de seu pai. O nome da loja onde nasceu seus pais, no Líbano. Vieram para o Brasil em 1915. Senhor Amir tinha cinco irmãos: um irmão e quatro irmãs. Estudou no Colégio Fausto Lex e fez contabilidade no Ateneu. Depois da aula ajudava o pai no mercado. Seu pai montou o mercado em 1926. Portanto a loja tem quase 100 anos. Seu pai era muito empreendedor. Nos anos da Segunda Guerra Mundial, vendia querosene e sal, dois produtos de grande necessidade para a população. O querosene para os lampiões e o sal para a alimentação. Eis aqui a entrevista com o senhor Amir Jamal, proprietário da Casa Baalbek.

MERCADOR: Amir segue os passos do pai no comércio em Barretos  

Amir Jamal, apaixonado pelo comércio

Meu pai deixou-me uma norma de vida que conservo e aplico sempre aqui na loja. “Por mais errado que o cliente esteja, ele sempre tem razão”.

Quando não conseguiu, com a venda do querosene e sal e mais os cereais, tocar a loja, ele diversificou, passou a vender de tudo: ferragens, alimentos, cristais, tecidos, tintas, material para construção e então tudo mudou. A loja, na época, na Rua 18, se tornou cheia de atrativos e muitos clientes.

Eu nunca pensei em desistir. Aprendi com meu pai a trabalhar. Meus pais formaram na Faculdade as quatro filhas. Na formatura de cada uma meu pai chorava muito e ele queria e insistia que eu fizesse a faculdade e dizia que iria chorar na minha formatura.  Para agradar meu pai fui fazer Direito em Rio Preto, me formei em 1974. Mas eu era apaixonado pelo comércio. Pouco a pouco, a partir de 1960, meu pai foi me entregando a loja. Como administrador da loja, fui modificando os produtos para mais úteis. Minha mãe adorava plantar flores e eu fui comprando vasos e artigos de decoração para agradá-la. 

Em 1977 me casei com a Sueli, minha esposa até hoje. Temos um filho, que não gosta da loja, gosta e trabalha com computadores. 

Estes olhos azuis são a herança que adquiri de meus pais, ambos tinham olhos azuis esverdeados.

Eu lido com meus clientes com muito respeito e carinho. E se conseguir, dependendo da peça, eu abaixo o preço, agrado o cliente que se precisar novamente, volta e ainda conquisto um amigo.

Meu pai foi um importador de trigo, importava navios de trigo para Barretos e no entanto nunca foi reconhecido, não tem nenhuma rua ou praça que homenageie o nome de meu pai que trabalhou tanto por esta cidade. Tenho uma dor imensa dessa falta de agradecimento, um lamento.

Não vejo muito futuro para meu comércio, são produtos de muita qualidade, mas vem de há muito tempo sendo engolido pela modernidade, pelos produtos de menor qualidade e menor preço que a internet oferece. Eu vendo qualidade, meus produtos são perfeitos.

Às vezes tenho vontade de fechar a loja, não fecho porque tenho muitos clientes aqui e em outros estados, que vem e levam dezenas de vasos.

Minha nacionalidade é brasileira e sou filho de libaneses.

Tenho um lema que herdei do meu pai e da vida: “Para vencer na vida é preciso duas coisas: É preciso ter qualidade naquilo que você sempre se propõe a fazer e segundo é agradar o cliente, atendimento para mim é primordial”. Eu não vendo preço eu vendo qualidade.