Velocista barretense disputa Sul-Americano
Sandra Moreno - 15 de novembro de 2025
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Atleta vive estreia internacional após 20 anos na modalidade iniciada na pista do Rochão correndo descalça

Aos 34 anos, a barretense Juliana Aparecida dos Santos vive o momento mais marcante de sua trajetória esportiva. O que começou aos 12 anos, ainda correndo descalça na pista do Rochão, agora se transforma em realidade: ela embarca no dia 21 para sua primeira competição internacional, o XXII Campeonato Sul-Americano de Atletismo Máster, que será realizado em Santiago, no Chile, entre 24 e 30 de novembro.
Juliana, que hoje é personal trainer e professora de Educação Física, carrega uma história de superação que atravessa duas décadas. “O atletismo me salvou. Eu vim da periferia, de uma realidade financeira muito difícil, e a escolinha de atletismo foi a porta que mudou a minha vida”, lembra.
Ao longo desses 20 anos, acumulou títulos em Jogos Regionais, campeonatos escolares, paulistas, estaduais e nacionais. A vaga para o Sul-Americano veio há poucas semanas, após conquistar o título brasileiro em São Paulo e marcar 11s80 nos 100 metros, índice que garantiu sua inscrição.
No Chile, ela disputará três provas: 100 metros rasos, 100 metros com barreiras e 200 metros rasos, enfrentando cerca de 60 atletas por prova. O torneio, segundo estimativas, reunirá mais de 2.400 competidores de diversos países.
A emoção ganhou corpo quando a camiseta da seleção chegou às suas mãos. “Foi uma sensação única. Vestir essa camisa já é um pódio, um grito de vitória. Para mim, ela não pesa, ela é leve. Representar o Brasil sendo do interior, de Barretos, é muito mais que um sonho.”
A preparação, segundo ela, é a melhor de sua carreira. “Estou pronta. Tenho treinado firme com meu técnico, otimista para trazer medalhas para o Brasil e para a nossa cidade.”
Ao olhar para a pista onde tudo começou, Juliana se comove. “Aqui é minha segunda casa. Eu lembro de mim, com 12 anos, correndo descalça… e hoje estou indo para representar meu país. Todo dia que venho treinar, revivo esse processo. Essa pista tem minha alma. Quero muito voltar com a medalha no pescoço. Cheguei até aqui — agora quero chegar gigante”, finaliza ela.



