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Bolas de Natal

O Diário - 17 de dezembro de 2025

Bolas de Natal

Cláudia Martins de Lima

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Dezembro chegou, e com ele, o fulgor que lhe é próprio. Já a meio do mês, o espírito natalício impõe-se, não apenas pelas fachadas resplandecentes ou pelas melodias que se insinuam pelos comércios locais, mas sobretudo por essa atmosfera densa de emoção, pela expectativa e a saudade que paira no ar. Mesmo recolhido no lar, sente-se o Natal – no tilintar das luzes, no vermelho intenso das guirlandas, nas memórias evocadas a cada canto da casa.

Em mim havia um silêncio espesso, marcado pela ausência daqueles que, outrora, eram a essência desta celebração: minha mãe e meu irmão, companheiros insubstituíveis de todos os Natais. Sendo assim, resignei-me na hipótese de estarmos eu e minha filha sós. Dentro dessa saudade, brotou uma voz que me disse: - Vamos fazer esse Natal, filha! Enxugando as lágrimas revi fotos. Naquelas imagens, mais do que rostos, habitava o verdadeiro significado do Natal — a constatação de que a família e os amigos, quando alicerçados no amor, transcendem o tempo. A família e os amigos são eternos.

Inspirada por essa certeza, dentro de mim convoquei: “ Vem, mãe, vamos montar nossa árvore! ” E assim, delicadamente, eu e minha filha adornamos cada ramo da árvore com bolas de natal onde vejo rostos por mim tão amados.

A árvore reluz com todos que amei. Luzes cintilam ao compasso da esperança renovada. O amor transcende o tempo e, na memória, todos habitam privilegiados e inesquecíveis. No dia 25, estarão todos comigo, celebrando não apenas o nascimento do Salvador, mas também o renascer da paz, da fé e do eterno laço que une os corações.

Feliz Natal a todos.