Esse ano eu não pedi nada a ninguém.
O Diário - 4 de janeiro de 2026
Cláudia Martins de Lima
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Aceitei os convites que me fizeram com amor e recebi carinho até de onde eu não suponha receber.
Esse ano eu reconstrui vínculos perdidos, perdoei o que passou e resgatei antigas amizades.
Nesse ano fiz novas antigas receitas que guardei nos cadernos de culinária da minha infância e aprendi um pouco sobre figos, caramelos e a silenciosa arte de cozinhar.
Esse ano eu gostei mais de mim de frente do espelho sem pensar em peso, cabelos, unhas e roupas. Gostei de mim do jeito que sou.
Esse ano reverenciei minha família, meus ancestrais e meus descendentes. Vi as semelhanças dos traços genéticos que só a ciência consegue explicar.
Esse ano olhei pra dentro da minha filha, carne da minha carne e vi suas angústias e alegrias, suas meninices e dores e a abracei mais.
Esse ano fechei com todos meus progressos e dei movimento ao meu corpo um pouco cansado. Dei-lhe condições de viver mais algumas décadas em sincronia com minha mente incansável que só produz mais e mais.
Esse ano eu olhei pro céu, vi o sol, vi a lua e vi as estrelas. Vi que na descida da montanha da vida volto a ser livre como eu era lá no início e me senti livre, alegre, forte e capaz. Sem amarras. Sem julgamentos. Esse ano, renasci.




