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Venezuelanos em Barretos acompanham crise no país de origem

Sandra Moreno - 6 de janeiro de 2026

Venezuelanos em Barretos acompanham crise no país de origem

ACOLHIMENTO: Tigela e Mariannys no Instituto Cesalpina que tem entre seus atendimentos, imigrantes

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Barretos conta atualmente com 66 famílias venezuelanas, totalizando 185 pessoas residindo no município, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, com base no CadÚnico. A maioria dessas famílias chegou à cidade em busca de tratamento médico especializado, principalmente na área oncológica, e parte delas acabou permanecendo após o acompanhamento de saúde.

Em meio a essa realidade, a comunidade venezuelana local acompanha com atenção as informações divulgadas internacionalmente sobre a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ocorrida no dia 3 de janeiro, conforme comunicado das autoridades dos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Maduro e a esposa, Cilia Flores, teriam sido detidos em uma operação realizada em Caracas e levados ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn. Contra o casal,  as acusações incluem crimes como narcotráfico e terrorismo.

Entre os venezuelanos que vivem em Barretos está Greimaris José Garcia Mendoza, de 30 anos, natural de Maturín, que reside na cidade há cerca de dois anos acompanhando o tratamento da filha Ashley, de 12 anos. Ela relata que a decisão de deixar a Venezuela foi motivada pelas dificuldades extremas de acesso a alimentos, medicamentos e atendimento médico. Após tentativas de tratamento no próprio país e em outros estados brasileiros, mãe e filha chegaram a Barretos, onde a criança passou por um transplante de medula óssea em julho de 2023. Segundo Greimaris, a situação política no país de origem ainda gera medo e silêncio entre familiares que permaneceram na Venezuela.

Outra moradora é Mariannys Coromoto, de 34 anos, também natural de Maturín. Ela está há cerca de seis meses em Barretos acompanhando o tratamento do filho de 14 anos, que enfrenta um câncer e problemas cardíacos, com parte do atendimento realizado em Ribeirão Preto. Mariannys destaca as dificuldades vividas na Venezuela, onde, segundo ela, era necessário pagar por praticamente todos os insumos médicos, muitas vezes escolhendo entre comprar remédios ou comida. Apesar das dificuldades econômicas, ela afirma ter uma visão mais cautelosa sobre a crise política e diz acreditar que a situação do país envolve fatores complexos, reforçando a importância da fé e da solidariedade.

BARRETOS 

O acolhimento dessas famílias em Barretos conta com o apoio do Instituto Cesalpina, localizado no bairro Jardim Soares, nas proximidades do Hospital de Amor. A entidade atende imigrantes de diversos países da América Latina e oferece orientação, oficinas, distribuição de alimentos e apoio para moradia, além de auxílio com móveis e eletrodomésticos.

Segundo o presidente do instituto, Carlos Antônio Ferreira, muitos imigrantes chegam à cidade focados apenas no tratamento médico, sem condições estruturais para permanecer por longos períodos. “Muitas vezes o tratamento se estende por meses ou até anos, e essas famílias precisam se reorganizar completamente. Nosso papel é acolher, orientar e ajudar no que for possível”, afirma. Ele ressalta ainda que o acesso às políticas públicas e à rede de apoio faz com que algumas famílias optem por permanecer em Barretos mesmo após o término do tratamento.

Enquanto aguardam os desdobramentos da crise política na Venezuela, os venezuelanos que vivem em Barretos seguem divididos entre a preocupação com familiares que ficaram no país de origem e a busca por estabilidade, saúde e dignidade longe de casa. Para muitos, o desejo permanece o mesmo: poder voltar um dia à Venezuela em condições de segurança, liberdade e qualidade de vida.