90 anos – Passos, Sonhos e Resistências
O Diário - 6 de janeiro de 2026
Coriolano NevesJornalista Designer e Carnavalesco Vice presidente da SBREO
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Há estrelas que brilham no céu.
Outras, na história dos povos.
A Estrela do Oriente nasceu em Barretos em 6 de janeiro de 1936, quando homens negros decidiram não aceitar a escuridão da exclusão e criaram, com coragem, o próprio caminho para o lazer, a cultura e a dignidade.
Num tempo em que portas se fechavam, a Estrela abriu salões.
Num tempo em que vozes eram silenciadas, a Estrela fez soar o tambor.
Inspirada na estrela-guia dos Reis Magos, a Estrela do Oriente passou a conduzir gerações na busca por respeito, pertencimento e alegria.
Foi refúgio quando a cidade negava acesso.
Foi palco quando os palcos não aceitavam corpos negros.
Foi resistência quando o racismo tentava impor limites.
No carnaval, nas noites folclóricas, no teatro negro, a Estrela transformou dor em arte e exclusão em celebração coletiva.
Conquistou sede, formou sambistas, gerou escolas, líderes e memórias.
Tornou-se mãe do samba, guardiã da ancestralidade, patrimônio vivo da comunidade negra barretense.
Noventa anos depois, a Estrela continua acesa.
Iluminando passado, presente e futuro.
Porque enquanto houver memória, cultura e união, a Estrela do Oriente jamais deixará de brilhar.
Coriolano Neves Jornalista Designer e Carnavalesco Vice presidente da SBREO




