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Vaidade e Exposição

Diocese de Barretos - 7 de janeiro de 2026

Vaidade e Exposição

Por Pe. Flávio Aparecido Pereira, Vigário Paroquial Catedral Barretos

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As redes sociais, por vezes, se tornam uma vitrine de exposição de sentimentos e acontecimentos, tudo precisa ser exposto, em um conceito de, talvez autoafirmação ou mesmo para se manter ‘conectado’. Diante disso, a vaidade ganha novas roupagens, deixando de ser um traço de personalidade, tornando-se um estilo de vida envolto à critérios de valores que tendem à busca de um sucesso ou mesmo de colocar-se em foco. Tudo fica online em tempo recorde, e fotografias são editadas meticulosamente, o que acontece agora é postado imediatamente, e há o aguardo de curtidas e likes; quanto mais, melhor. Quando falamos em conceito bíblico, a vaidade não pode ser entendida e resumida aos cuidados com a aparência, ou a busca incessante pela aprovação pessoal, de tal modo, se ela é colocada no centro de tudo, pode até mesmo ocupar o lugar de Deus, deixando o homem longe da verdade que liberta, da humildade que nos aproxima dos irmãos e de Deus, e da confiança que depositamos no Pai. O hagiógrafo ressalta que “vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades: tudo é vaidade (Ecl 1,2)”. Tal expressão, é colocada aqui como uma denúncia à fragilidade de tudo aquilo que está envolto ao prestígio humano e a busca de reconhecimento pessoal. Em contraponto à vaidade, que por vezes associa-se à ilusão e esquecimento do Pai, tem-se a humildade, que deve ser vivida e experimentada por todo ser humano. A vaidade, posta neste contexto, é evidenciada como um sintoma social a qual gera desigualdade, injustiça e até mesmo o afastamento de Deus. Quando existe no ser humano o desejo de ser aplaudido, ser reconhecido e colocado no centro de tudo, o homem se perde em uma vida de aparência que revela o quão interiormente vazio ele está, de modo a sentir a necessidade de expor-se para se afirmar. Quando isso acontece, por vezes a vaidade rompe com a comunhão, gerando competição, inveja e divisão. O ideal de construir a unidade em Cristo, vai se fragmentando, enfraquecendo a vida comunitária, pairando o individualismo de holofotes e da autopromoção. Aqui, o que fala mais alto é uma cultura centrada no ego. Vivendo este tempo em que a exposição é constante, uma reflexão acerca da vaidade torna-se urgente, na qual somos convidados a fazermos uma ordem interior em cada um de nós. Se a vaidade governa o ser humano, ele se torna refém da própria imagem; no entanto, quando a humildade é o que conduz suas atitudes, a pessoa encontra a verdadeira liberdade. Pedro resume tal conceito quando ele exorta: “Revesti-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (1Pd 5,5).