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O relógio do coração

O Diário - 14 de janeiro de 2026

O relógio do coração

Rosa Carneiro é empresária, escritora e integrante da Academia Barretense de Cultura

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Há tempos na vida que contam de maneira diferente. Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um só dia. Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar de o calendário mostrar que ficaram por anos nas agendas. Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos e abraços não dados que até hoje esperam o desfecho. Há trabalhos que tomaram décadas de tempo na terra, mas a memória insiste em contá-los como semanas. Há casamentos que ao se olhar para trás, mal preenchem os feriados da folhinha. Há tristezas que ficaram paralisadas por meses, mas hoje, passados os dias difíceis, mal é guardada a lembranças de horas. Há eventos que marcaram tanto que duram para sempre: o nascimento do filho, a morte da avó, a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado. Estes têm a duração que ensina o significado da palavra “eternidade”.

Viaja-se para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria delas o tempo do percurso foi quase o mesmo, mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há também o percurso que nem se lembra de ter sido feito, de tão feliz em que se estava na ocasião.

O relógio do coração, bate em frequência diversa daquele que se carrega no pulso. Ele marca um tempo diferente, o das emoções que perduram e que mostra o verdadeiro tempo da existência terrena. Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo da vivência no mundo. É olhar as rugas e não perceber a maturidade e as experiências adquiridas. É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de sentir, alegrar-se e sorrir com as recordações das situações vividas. É sempre bom consultar o relógio do coração, é ele que mostra o verdadeiro tempo da vida. A reflexão ao relógio do coração mostra o verdadeiro tempo da vida que é o dever que se traz para fazer em casa. Quando se vê, já se passaram semanas, meses e anos... e já é tarde demais para ser reprovado. Se fosse dada outra oportunidade, ninguém olharia para trás seguiria sempre em frente e jogaria fora e para sempre a casca dourada e inútil das horas...