A saúde que o Brasil precisa
O Diário - 14 de janeiro de 2026
Marina Breseghello de Britto, estudante do 2º período do curso de medicina da FACISB, orientada pelo prof. Sergio Vicente Serrano.
Compartilhar
O Sistema Único de Saúde foi criado com base nos princípios da universalidade, equidade e integralidade, assegurando que todos tenham direito a um cuidado completo. No entanto, a realidade brasileira evidencia que esses ideais convivem com limitações estruturais, desigualdades regionais e longos períodos de espera, revelando que o sistema, embora indispensável, nunca acompanhou plenamente a amplitude de suas próprias demandas.
Nesse cenário, a telemedicina surge como ferramenta capaz de ampliar o alcance do SUS, permitindo triagens mais rápidas, orientações a distância e maior acesso para quem vive longe dos grandes centros urbanos. Além de aproximar profissionais e pacientes, ela fortalece a educação em saúde, contribui para a prevenção e reduz deslocamentos desnecessários, representando um avanço concreto rumo a um sistema mais ágil e inclusivo. Apesar desses progressos, persiste um obstáculo que limita o potencial da telemedicina: a fragmentação dos dados de saúde. Hospitais, laboratórios, clínicas e unidades básicas operam com sistemas distintos e incompatíveis, dispersando informações essenciais sobre um mesmo paciente em múltiplas plataformas. Essa desarticulação compromete diagnósticos rápidos e impede a identificação de padrões familiares, fatores de risco e condições silenciosas que poderiam ser detectadas precocemente.
A integração dessas informações é decisiva para tornar o SUS verdadeiramente preventivo. Com dados unificados, a telemedicina poderia acompanhar pacientes de forma contínua, detectar mudanças sutis em exames, orientar famílias sobre riscos compartilhados e intervir antes que a doença se manifeste. A prevenção só é possível quando se enxerga o todo, e isso depende de informação organizada.
Consolidar esses registros em uma rede integrada favorece diagnósticos mais precisos, intervenções mais rápidas e políticas públicas mais eficientes. Assim, a união entre tecnologia, telemedicina e dados bem estruturados pode transformar o SUS e aproximá-lo do ideal de oferecer cuidado contínuo, preventivo e verdadeiramente justo para todos.
Marina Breseghello de Britto, estudante do 2º período do curso de medicina da FACISB, orientada pelo prof. Sergio Vicente Serrano.




