Relação entre o envelhecimento e o sangue
O Diário - 16 de janeiro de 2026
Natalia Ferreira Carneiro, estudante do 2º período do curso de medicina da FACISB, orientada pelo prof. Carlos Sitta Sabaini.
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A medula óssea é responsável pela fabricação de células sanguíneas, como as hemácias (glóbulos vermelhos) recheadas de hemoglobina – a proteína que carrega oxigênio para os tecidos. Fatores como doenças crônicas (ex.: diabetes ou problemas renais) e o uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia) podem gerar ou agravar a redução gradual na produção de hemácias durante o envelhecimento, resultando em anemia. Sem oxigênio suficiente circulando, o corpo “pede socorro”: os músculos enfraquecem, o cérebro sofre sem combustível e o dia a dia vira uma maratona exaustiva. Estudos epidemiológicos indicam que entre 10% e 15% dos idosos convivem com essa condição. Embora pareça uma “companhia inevitável” da idade avançada, hematologistas alertam: anemia não é normal, devendo ser prevenida e tratada.
Deficiências nutricionais, como falta de ferro (essencial para formar hemoglobina) ou vitamina B12 (crucial para a maturação das hemácias), são comuns em dietas pobres ou afetadas por problemas de absorção intestinal, frequentes na idade avançada. O uso prolongado de remédios para azia ou diabetes pode interferir ainda mais na absorção desses nutrientes. Além disso, doenças inflamatórias crônicas “sequestram” o ferro, impedindo seu uso adequado pela medula. Pesquisas mostram que a anemia acelera o declínio funcional: fadiga crônica, tonturas, fraqueza muscular e até piora na cognição, como maior risco de confusão mental ou demência. Ademais, em idosos frágeis, ela multiplica as chances de quedas, hospitalizações e perda de independência.
Prevenir é o primeiro passo: alimentação adequada rica em ferro (de carnes vermelhas, em especial) e vitamina B12 (ovos, laticínios e peixes), combinada a check-ups regulares com hemograma, um exame de sangue simples e acessível, pode detectar o problema antes que ele avance. Para quem já enfrenta a anemia, o diagnóstico precoce é chave: testes identificam a causa exata, permitindo tratamentos personalizados, ajustes em medicamentos ou controle rigoroso de condições desencadeantes.
Nessa perspectiva, é importantíssimo reconhecer os sinais da anemia e intervir a fim de preservar o bem-estar do idoso, já que essa faixa etária cresce vertiginosamente no Brasil, sendo possível garantir um envelhecimento saudável e ativo com simples cuidados.




