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De quando eu conheci o mar 

O Diário - 21 de janeiro de 2026

De quando eu conheci o mar 

Claudia Lima

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Um dia eu conheci o mar. De madrugada, por volta de umas 5 da manhã, eu e meu irmão pegamos carona com uma kombi que levava alguns oficiais do Exército de São Paulo para São Vicente. Meu avô Urbano tinha falecido e o clima estava pesado para uma criança de 7 anos. Assim meu irmão me levou com ele para um dia de trabalho em São Vicente no batalhão que ele era tenente. As memórias veem como rolos antigos de fotografias. Não me lembro das horas seguintes, entretanto me lembro perfeitamente de estar numa loja de departamentos em Santos comprando meu primeiro biquíni memorável. Era azul claro, tinha figuras de peixes e tinha laços. Na sequência do rolo de imagens, estou na praia, vejo ondas e mais ondas arrebentando. O barulho do mar é onipresente. À esquerda o imponente ilha porchat reina soberano. Vou feliz para o encontro das águas. Cristalinas. Indomáveis. Olho surpresa para o meu irmão, que a esta altura, gargalha. As águas são salgadas! Ele não me contou! Permitiu que eu fosse ao encontro do inesperado, apreciando minha inocência, certo que não voltaria a mesma. Ele apreciou o instante único de um pequeno passo meu para o futuro. O mar guardou esse nosso segredo nas suas profundezas. Na superfície nosso riso largou permaneceu junto com o barulho das ondas: hipnótico e familiar. Eterno.