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Deus e sua proximidade

Diocese de Barretos - 25 de janeiro de 2026

Deus e sua proximidade

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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

O evangelista Mateus no texto que é proclamado hoje na liturgia da Igreja (cf. Mt 4, 12-23) começa por nos dizer que Jesus voltou para a Galiléia, e que deixando Nazaré foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galiléia. Aparentemente parece uma informação sem importância, mas na verdade, é de grande importância saber que Jesus não inicia sua missão na Judéia, à sombra do Templo, ou próximo de algum lugar venerado pelos judeus, mas na Galiléia que era desprezada pelos judeus, pelo fato de que havia ali uma mistura de raças, povos e nações, a ponto de ser chamada Galiléia das Nações. Entre os desprezados e considerados pelos mais fervorosos impuros Jesus inicia a sua missão, e, Mateus nos diz que “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz” (cf. vv.15-16). Este fato nos ensina que a luz brilha nas trevas. Por isso não temos porque temer quando as trevas nos invadem, porque é então que a luz pode brilhar e aparecerá, se a acolhermos, em todo o seu esplendor. O evangelista nos diz que “Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (v. 23). Jesus é um pregador itinerante, que passa de um lugar a outro transmitindo uma mensagem: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (v. 17). Jesus proclama que Deus está próximo, aquele que habita nos céus desceu à terra, fez-se homem. Removeu as barreiras, eliminou as distâncias, veio ao nosso encontro. Essa proximidade de Deus é o seu jeito de ser. Em Jesus, ele assumiu a nossa humanidade, não por um sentido de dever, mas por amor. Amorosamente tomou a nossa humanidade, porque torna-se aquilo que se ama. E assim fez-nos ouvir o seu convite: “Convertei-vos”, “mudai de vida”. Mudai de vida porque começou um novo modo de viver: acabou o tempo de viver para si mesmo, começou o tempo de viver com Deus e para Deus, com os outros e para os outros, com amor e por amor. De imediato, Jesus chama os que ele queria que estivessem com ele, para poder mandar a pregar, a continuar a sua missão. Eram pescadores: não era pessoas de grande cultura, nem homens piedosos que frequentavam o templo, mas gente simples que vivia do trabalho de suas mãos. E ainda hoje Jesus continua a chamar homens e mulheres, para colaborar na sua missão. Ele nos chama também para nos tornarmos “pescadores de gente”: ao contrário do que ocorre na pesca, que uma vez apanhados e retirados os peixes morrem, aqueles que são retirados do mar do mundo, não morrem, mas vivem. Assim, tarefa de todos os que Jesus chama é retirar do mar do ódio, da ignorância, dos vícios, das drogas, do pecado, aqueles que estão sujeitos à morte; para que junto de Jesus, encontrem a vida. Foi o que fizeram e fazem os apóstolos em todos os tempos: anunciam que Deus está próximo, a altura do nosso coração, para nos ajudar a vencer o mal e a morte, e a encontrar a vida. Santo Domingo!