Esqueci minha senha
Olho Seco: um problema cada vez mais comum

O Diário - 25 de janeiro de 2026

Olho Seco: um problema cada vez mais comum

SAÚDE: Os oftalmologistas dra. Daniela Monteiro de Barros (CRM 109.939) e dr. Fernando Heimbeck (CRM104.673), especialistas em oftalmologia pelo Wills Eye Hospital, no Estados Unidos, são orientadores da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Facisb (laof)

Compartilhar


Especialistas em Oftalmologia esclarecem sobre doença mutifatorial

Sensação de areia nos olhos, ardor, queimação e visão embaçada no fim do dia são queixas cada vez mais frequentes. Muitas pessoas acreditam que esses sintomas fazem parte da rotina moderna, mas, na verdade, podem indicar a Síndrome do Olho Seco, uma condição oftalmológica que merece atenção.

Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, os oftalmologistas Dr. Fernando Heimbeck (CRM 104.673) e Dra. Daniela Monteiro de Barros (CRM 109.939) respondem, na entrevista a seguir, às dúvidas mais comuns sobre o olho seco. 

O DIÁRIO: O que é o olho seco?
DR. FERNANDO: O olho seco é uma doença multifatorial caracterizada pela produção insuficiente de lágrimas ou pela má qualidade da lágrima. A lágrima não serve apenas para “lubrificar” os olhos; ela é essencial para nutrir a córnea, proteger contra infecções e garantir uma boa qualidade da visão.

O DIÁRIO: Quais são os principais sintomas?
DRA. DANIELA: Os sintomas mais comuns incluem ardor, queimação, sensação de areia ou corpo estranho, vermelhidão, sensibilidade à luz e visão borrada. Curiosamente, o lacrimejamento excessivo também pode ser sinal de olho seco, pois o olho tenta compensar a lubrificação inadequada.

O DIÁRIO: Quem tem mais risco de desenvolver olho seco?
DR. FERNANDO: Pessoas que passam muitas horas em frente a telas, usuários frequentes de ar-condicionado, idosos, mulheres após a menopausa, usuários de lentes de contato e pacientes com doenças autoimunes apresentam maior risco. Alguns medicamentos também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

O DIÁRIO: O uso excessivo de telas piora o olho seco?
DRA. DANIELA: Sim. Durante o uso prolongado de computadores e celulares, piscamos menos, o que compromete a distribuição da lágrima sobre a superfície do olho. Isso acelera a evaporação da lágrima e intensifica os sintomas de olho seco.

O DIÁRIO: Olho seco é uma doença grave?
DR. FERNANDO: Em muitos casos, trata-se de uma condição leve a moderada, mas quando não diagnosticada e tratada adequadamente pode evoluir para inflamação crônica, lesões na córnea e queda importante da qualidade de vida.

O DIÁRIO: Como é feito o diagnóstico?
DRA. DANIELA: O diagnóstico é baseado na avaliação clínica, nos sintomas relatados pelo paciente e no exame oftalmológico. Testes específicos podem ser realizados para avaliar tanto a quantidade quanto a qualidade da lágrima.

O DIÁRIO: Qual é o tratamento para o olho seco?
DR. FERNANDO: O tratamento varia de acordo com a causa e a gravidade do quadro. Pode incluir lágrimas artificiais, cuidados com a higiene das pálpebras, controle ambiental e mudanças de hábitos.

O DIÁRIO: Colírios lubrificantes podem ser usados livremente?
DRA. DANIELA: Nem todos os colírios são iguais. Alguns contêm conservantes que podem agravar o quadro se usados de forma inadequada. A orientação médica é fundamental.

O DIÁRIO: É possível prevenir o olho seco?
DR. FERNANDO: Sim. Uma medida simples é a regra do 20-20-20: a cada 20 minutos em frente às telas, olhar para um ponto distante cerca de 20 pés (aproximadamente 6 metros) por 20 segundos. Isso ajuda a relaxar os olhos e estimula o piscar natural. Manter boa hidratação e evitar ambientes muito secos também ajudam.

O DIÁRIO: Qual a principal mensagem para quem sofre com olho seco?
DRA. DANIELA: O desconforto ocular não deve ser encarado como normal. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida.